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Vídeos com autoplay podem ser bastante irritantes. O mesmo vale para páginas em que a rolagem parece infinita: você quer chegar ao fim e não consegue. O senador americano Josh Hawley, do Missouri, propôs uma lei para bani-los.

Chamada de Ato de Tecnologia para a Redução de Vício em Mídias Sociais (Social Media Addiction Reduction Technology Act – SMART Act), a lei busca evitar que companhias online usem táticas que “exploram a psicologia humana ou a fisiologia do cérebro” para afetar as opções do usuário.

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A ideia é abolir, entre outros, interfaces desenhadas para enganar, confundir ou puxar o usuário para dentro da plataforma. Segundo Hawley, esses designs alimentam o vício em redes sociais, cujo objetivo é capturar o máximo da atenção dos usuários. Ele diz, ainda, que essa tática — usada por sites como Facebook, YouTube e Snapchat — interfere na liberdade de escolha dos usuários.

A proposta de lei aponta que a rolagem infinita da tela, o autocompletar e o autoplay eliminam pontos naturais de parada. A exceção, no caso do autoplay, seriam as playlists personalizadas em serviços de streaming como o Spotify.

Imposição de limites

A gamificação também está na mira de Hawley: medalhas e outros prêmios associados ao engajamento (como os oferecidos pelo Snapchat) não são bem vistos pelo congressista. Aparentemente, a ideia é incomodar os usuários a ponto de eles decidirem abandonar as redes sociais.

O texto diz que as plataformas teriam de limitar o uso, por padrão, a 30 minutos diários. Os usuários poderiam escolher seus próprios limites para o dia e para a semana, mas as empresas teriam de ajustá-los novamente todo mês para meia hora. Além disso, elas teriam de apresentar avisos a cada 30 minutos para mostrar quanto tempo foi gasto no dia anterior na rede.

Em um comunicado, Hawley afirma que o segmento adotou um modelo de negócios que busca o vício do consumidor. “Boa parte da ‘inovação’ não busca criar produtos melhores, mas apenas capturar a atenção a partir de truques psicológicos.”

Não é a primeira vez que ele tenta regular mecanismos potencialmente viciantes do universo digital: em maio, ele sugeriu uma lei para banir as loot boxes dos games — a justificativa é que essas microtransações buscam explorar as crianças. O mais curioso e paradoxal é que o website do senador tem um vídeo em autoplay logo no início da página.