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Muita gente ainda não sabe o que são os superapps, mas aparentemente eles já representam uma tendência global. Assim como os aplicativos de marketplaces tornaram as compras móveis mais fáceis, os superapps ajudam os usuários a encontrarem diferentes serviços em uma só plataforma.

Os apps estão nas mãos de milhões em todo o mundo. Uma pesquisa do Google, apresentada nesta quinta-feira (29) durante o App Summit, revela que 81% dos brasileiros não sabem o que são os superapps. Foram consideradas as opiniões de 500 pessoas: elas responderam às perguntas em agosto na ferramenta de pesquisa online do buscador, a Google Survey.

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Ao entenderem o conceito, porém, 45,8% dos participantes se mostraram dispostos a instalá-los — 20,3% o fariam imediatamente. Para 30,1% deles, o principal benefício do superapp é a redução do espaço ocupado na memória do smartphone. “Afinal, um único aplicativo concentra diversos serviços”, diz Ligia Cano, responsável por Apps para clientes de rápido crescimento do Google Brasil.

A pesquisa indica, ainda, os itens mais procurados pelos consumidores em um superapp: troca de mensagens com outros usuários (44,8%), compras (30,3%) e entregas de comida (29,2%). Em seguida, vêm a compra de passagens aéreas e o agendamento de consultas médicas (28,1%), os serviços de mobilidade (26%) e as aplicações financeiras (22,1%).

E mais: não existe um formato único para os superapps. “Eles podem surgir de diferentes verticais”, explica Ligia. “Muitas companhias têm pensado em como transformar seus aplicativos em superapps, mas é essencial que os serviços agregados façam sentido entre si para que representem valor para o consumidor.”

Uma das empresas que posiciona sua plataforma como superapp é a Rappi. Ela se define como uma companhia que faz entregas sob demanda: os clientes podem receber qualquer tipo de produto. Isso inclui até mobilidade urbana, já que a marca é parceira da Grin, que aluga patinetes elétricos em algumas cidades.

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Antes mesmo de o conceito existir

Um aplicativo que já funciona como superapp há algum tempo é o Mercado Livre. O serviço começou como marketplace, mas depois agregou sistema de pagamento (o Mercado Pago), recurso de gerenciamento de entregas (o Mercado Envios), ferramenta de criação de lojas virtuais (o Mercado Shops) e solução de propaganda (o Mercado Livre Publicidade).

Entre as características importantes para um superapp estão a necessidade de ter uma base de clientes significativa e a capacidade de mantê-la engajada, ou seja, de garantir uma frequência de uso alta. A Uber tem ambas e já dá sinais de que vai na direção dessa tendência, pois incorporou o Uber Eats ao aplicativo principal.

Maíra Ramos, que comanda a área de Apps para grandes empresas do Google Brasil, ressalta que as marcas partem de sua especialidade e ampliam as opções com base nessa expertise. “Além disso, elas fazem muitas parcerias. Não há uma criação de negócios em áreas que elas não dominam”, destaca. “Faz mais sentido para a Rappi se associar à Grin do que lançar uma concorrente.”

Outro aspecto dos superapps é que eles são mais uma opção no universo dos aplicativos, mas não representam uma evolução tecnológica. “Para ganhar a fidelidade do consumidor, as empresas devem pensar no que faz mais sentido para seus clientes. E aí pode ser um app comum, uma versão lite, um superapp ou todas elas, para diferentes momentos e públicos.”

Não é à toa que várias empresas têm estudado o assunto. O Magazine Luiza, por exemplo, já fala em ter uma plataforma parecida com o WeChat (um superapp chinês que congrega de bate-papo a serviços financeiros, passando por compras e afins). O Banco Inter, por sua vez, planeja um sistema em forma de superapp que ofereça compras que devolvem dinheiro.

As opções estão se expandindo e, a considerar a concorrência crescente em todos os mercados, é provável que o consumidor ganhe com esse movimento. Você instalaria um superapp hoje se ele fosse facilitar a sua vida?