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Os astrônomos ainda não conseguiram desvendar os mistérios que envolvem a Matéria Escura, uma substância que compõe quase 70% do Universo e parece estar intrinsecamente ligada à expansão do cosmos. Porém, um novo experimento pode lançar alguma luz sobre essa questão.

Na semana passada, os cientistas alcançaram a “primeira luz” – a primeira vez que um instrumento ou telescópio coleta partículas de luz – com o Instrumento Espectroscópico de Energia Escura (DESI) do Telescópio Mayall.

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O novo instrumento mapeará a estrutura geral do universo, a cerca de 11 bilhões de anos-luz da Terra, segundo informado num comunicado de imprensa, para descobrir o quão rápido e o quanto está se expandindo. O experimento pode fornecer algumas pistas sobre a natureza da matéria escura em nosso planeta.

A matriz robótica de cinco mil “olhos” de fibra óptica foi projetada para estreitar automaticamente seu olhar para conjuntos de galáxias e mapear sua distância exata da Terra, reunindo sua luz e dividindo-a em estreitas faixas de comprimentos de onda. Tudo isso ocorre a um ritmo vertiginoso: o DESI é capaz de percorrer cinco mil galáxias a cada 20 minutos. Os astrônomos esperam começar as observações formais no início do próximo ano.

Reprodução/DESI

Para Bob Nichol, professor de astrofísica da Universidade de Portsmouth, o DESI tem o potencial de “desencadear uma revolução na física teórica”, examinando os mistérios que cercam a matéria escura e as leis fundamentais, caso existam, que restringem o tamanho e a taxa de expansão do universo.

“Apesar do fato de a maioria dos cientistas ter aceitado a existência de energia escura, ainda não sabemos sua forma exata”, escreveu ele em artigo para uma revista especializada. No entanto, “novos instrumentos como o DESI ajudarão a dar o próximo passo na resolução do mistério.”

O novo instrumento também poderá abordar algumas leis da astrofísica ainda mais fundamentais, que foram mantidas por mais de um século. “O DESI também deve ser capaz de restringir e até matar muitas teorias da gravidade modificada, possivelmente fornecendo uma confirmação enfática da Teoria da Relatividade Geral de Albert Einstein nas maiores escalas”, acrescentou Nichol. “Ou o contrário – e novamente isso provocaria uma revolução na física teórica.” 

Via: Futurism