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Há quem diga que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar. Desta vez, caiu! Na segunda-feira, o Olhar Digital reportou em primeira mão uma falha de segurança no portal de serviços da Vivo que deixava expostos os dados de 24 milhões de assinantes. O problema foi descoberto e identificado pelo grupo de pesquisadores “WhiteHat Brasil”. No dia seguinte, a própria Vivo reconheceu a falha e anunciou que havia resolvido uma vulnerabilidade grave na plataforma de serviços Meu Vivo. Mas, ao que tudo indica, a Vivo fechou uma porta, mas esqueceu outra aberta.
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Uma nova denúncia anônima feita mais uma vez com exclusividade ao Olhar Digital mostra que os dados dos clientes de uma das maiores operadoras do país continuam desprotegidos e abertos para que qualquer pessoa tenha acesso livremente. A falha está na API do serviço Meu Vivo Fixo. Segundo o pesquisador que encontrou a nova brecha, essa API é “basicamente um banco de dados que retorna as informações dos usuários cadastrados no site da operadora”.
A grave vulnerabilidade foi descoberta há mais de um mês. Pior é que também há mais de 30 dias, o usuário que encontrou o problema enviou um e-mail bastante detalhado explicando tudo o que havia feito e alertando a Vivo sobre a falha. A princípio, foi ignorado. O pesquisador insistiu e entrou em contato novamente. A resposta da Vivo foi a seguinte: “Estamos atentos a este caso e à sua sugestão, temos uma previsão de atualização do aplicativo que seja mais amigável com uma navegação mais intuitiva para sua melhor experiência com o app”.
Ou seja, a Vivo – supostamente já ciente do problema – ignorou o alerta e deu uma resposta “padrão” ao usuário. De qualquer forma, nada foi feito ainda. Hoje, quinta-feira (7) o problema persiste na plataforma e todos os clientes da Vivo cadastrados no “Meu Vivo Fixo” continuam com suas informações pessoais vulneráveis e abertas. Com a ajuda do grupo “WhiteHat Brasil”, durante toda a manhã desta quinta-feira (7), vários testes foram feitos para comprovar que a questão ainda não foi resolvida.
Uma vez logado no portal Meu Vivo, com acesso a um link simples e um gerador de CPF, é possível puxar informações pessoais sensíveis como telefone, e-mail, endereço, número do telefone, detalhes do plano, faturas e até informações bancárias daqueles que possuem o pagamento do plano em débito automático.

O denunciante ainda informou que basta ter uma informação para descobrir todas as outras; seja CPF ou e-mail. E para piorar a situação, mesmo sem estar logado no portal Meu Vivo, apenas a partir de uma informação é possível alterar os dados de login e senha de qualquer assinante. Assim, por exemplo, um criminoso qualquer pode alterar o endereço de entrega da fatura ou usar as informações pessoais do assinante para elaborar uma fraude. Com uma fatura em mãos, ou mesmo uma segunda via online, é possível obter de forma ainda mais fácil e até organizada todas os dados pessoais de qualquer usuário. O que é bastante grave.

Curiosamente, na última madrugada, um outro leitor do Olhar Digital, indignado com o caso do vazamento de dados de 24 milhões de usuários reportado na segunda-feira (4), enviou um e-mail à redação informando que seus dados são constantemente modificados “sem autorização” no cadastro da Vivo. Ainda mais curioso é que este leitor não foi o único que reportou o mesmo tipo de problema.
Novo posicionamento da Vivo
Em nota ao Olhar Digital, a Vivo informou que “segue eliminando vulnerabilidades em seu sistema para garantir a proteção e a privacidade dos dados de seus clientes e coibir eventuais ações ilícitas. A empresa está investigando a conduta ilegal dos acessos ao seu sistema e tomando as medidas jurídicas e técnicas cabíveis“.