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Com os rumores da possibilidade de um terceiro episódio de “Kill Bill”, um dos momentos mais marcantes de Quentin Tarantino, a revista inglesa Empire, de longe a melhor entre as que cobrem cinema mainstream (apesar do gosto por vezes cair no conservadorismo conteudista) resolveu publicar três coisas que gostariam de ver no terceiro longa. A pequena matéria é assinada por John Nugent. Seguem as escolhas, com meus comentários:

A Vingança de Nikki

É a filha de Vernita Green (Vivica A. Fox), que testemunha o assassinato de sua mãe pela noiva interpretada por Uma Thurman logo no primeiro duelo de sua vingança. A noiva, ela própria uma vingadora, diz à pequena menina que entende perfeitamente se ela quiser vingança também, quando crescer. Quem não pensou nessa possível vingança, tempos depois, enquanto via o filme? Confesso que pensei, e a ideia pode realmente acontecer, a não ser que Tarantino não queira nos entregar o óbvio. Mas nesse caso, queremos o óbvio.

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Bill: a próxima geração

Com razão, a revista argumenta que se o filme se chama “Kill Bill”, precisa haver um novo Bill, já que o personagem de David Carradine morre no segundo longa, e especula sobre um possível filho que poderia ter sido deixado de fora da narrativa original. Esse filho poderia querer vingar a morte de seu pai.

Treinamento da filha pela mãe

“Nikki não seria a única crescida a querer ir para a briga”, diz a Empire, e lembra que a própria noiva descobriu, no final do segundo longa, que sua filha estava viva. As duas estão vendo televisão, no final da vingança, após Bill ter sido assassinado. E o jornalista pergunta e responde a si mesmo: “Tarantino fazendo ‘Karatê Kid’? Eu veria”. Sim, eu também. Seria interessante também para mostrar um treinamento em que a posição superior não fosse ocupada por um homem, como aconteceu nos primeiros longas. A noiva já teria adquirido um status de mestra por ter se vingado de Bill e teria plenas condições de ensinar tudo que sabe a sua filha B.B.

Se rolar mesmo esse terceiro longa, seria interessante também ver a evolução de Tarantino como diretor, após algumas obras menores como “Bastardos Inglórios” e “Django Livre”, um ensaio de invenção em “Os Oito Odiados” e a volta definitiva à grande forma com “Era Uma Vez em Hollywood”. Aguardemos essa incursão de um Tarantino maduro e renovado por uma narrativa que marcou uma espécie de transição em sua carreira.

* Sérgio Alpendre é crítico e professor de cinema

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