A pandemia do novo coronavírus levou diversos países e territórios a decretaram medidas restritivas para conter o surto global de Covid-19. Locais de trabalho, escolas e equipamentos foram fechados. Empresas tiveram que adequar processos internos, enquanto empregados precisaram se adaptar às novas rotinas de trabalho remoto.

Em meio a esses e outros tantos impactos provocados pela pandemia, é possível imaginar uma série de novos cenários. E para isso, o site Fast Company convidou dezenas de executivos, investidores e analistas de destaque no mercado a compartilharem suas projeções para o futuro pós-coronavírus.

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Os relatos são otimistas, principalmente quanto aos produtos, ideias e causas dos entrevistados. E, apesar das dificuldades do momento, eles ainda apontam possíveis inovações, mudanças de comportamentos e novas relações entre a sociedade e a tecnologia.

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Trabalho remoto

Para o CEO da Cloudflare, Matthew Prince, “a pandemia resultou no maior experimento de trabalho remoto já realizado na história da humanidade”. O diretor da empresa de segurança na web afirma que as pessoas estão buscando meios online para se conectarem com colegas de trabalho, mas também com amigos e familiares. Ele acredita que essa tendência deve continuar após a crise do novo coronavírus.

Além disso, a tendência é que reuniões por plataformas de videoconferência sejam mais aceitas por clientes internacionais, segundo Jeff Richards, sócio da financeira GGV Capital. O executivo afirma que viajava mais de 3 mil quilômetros antes da pandemia para visitar clientes internacionais e reuniões online eram, muitas vezes, interpretadas como descaso. Agora, ele acredita que essa concepção será revisada pelas corporações.

Outros entrevistados argumentam que várias empresas já planejam manter parte dos seus funcionários em regime de trabalho remoto, mesmo após a abertura da economia. As projeções ainda apontam que o cenário pode ajudar a criar consenso entre os limites das vidas social e profissional de funcionários que trabalham de casa.

Transformação digital

Os especialistas apostam que os reflexos da pandemia do novo coronavírus vão forçar empresas e instituições a migrarem seus processos para o âmbito digital, mais rapidamente.

“No momento, o vírus parece um acelerador de mudanças digitais que já estavam em andamento. A surpresa foi ver a resistência a essas mudanças evaporar repentinamente. O que as organizações resistiram por uma década, agora é essencial para a sobrevivência e a inovação”, escreveu Michael Hendrix, sócio da empresa internacional de design Ideo.

Para Stan Chudnovsky, vice presidente do Messenger, do Facebook, essa mudança também será empregada tanto em relações de trabalho, como para relações pessoais. Ele diz que percebe uma “crescente aceitação da tecnologia” como meio para conexões entre as pessoas.

Além disso, Will Cathcart, diretor do WhatsApp, afirma que esse crescente uso de plataformas digitais em meio ao isolamento social deve aumentar o apreço de usuários sobre a privacidade e segurança digitais. Embora ele não mencione o Zoom especificamente, vale lembrar que a empresa de videoconferência ganhou bastante popularidade durante a pandemia, mas ao mesmo tempo se tornou alvo de escrutínio público, diante de denúncias que apontam fragilidade na proteção de informações de usuários do aplicativo.

Educação à distância

Diante do fechamento de escolas e universidades por conta do coronavírus, muitas instituições de ensino recorreram à aulas online, por meio de plataformas como o Zoom e o Slack. O CEO da Flatiron School, Adam Enbar, acredita que este recurso não deve substituir completamente as aulas presenciais. No entanto, a tecnologia deve ter a função de criar “novas experiências” integradas ao ensino tradicional.

“Veremos um ‘boom’ de tecnologias voltadas à experiências totalmente novas e personalizadas para a educação e o trabalho remoto”, afirma o executivo.

Por sua vez, o presidente da instituição educacional sem fins lucrativos Khan Academy, Sal Khan, crê que a demanda por aulas online em meio à pandemia já expôs a importância de mobilizar a sociedade quanto a garantia de acesso universal à internet.

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Inovações na saúde

Além da educação, o desenvolvimento de tecnologias durante o surto global de coronavírus também deve trazer inovações para a medicina. Patrick Combes, líder global de Tecnologia, Saúde e Ciências da Vida na Amazon Web Services, afirma que a maior barreira para que médicos tenham históricos completos de qualquer paciente é a falta de intersecção entre os sistemas de instituições de saúde.

Para ele, a pandemia deve ser uma oportunidade para estudar soluções para esse problema, uma vez que sistemas de saúde, governos, pesquisadores e instituições privadas já trabalham com bases de dados integradas para investigar ações de combate à Covid-19.

Já a cofundadora da Seed Health, Ara Katz, afirma que o surto global do coronavírus ressalta a importância da ciência para subsidiar decisões e políticas públicas que podem salvar vidas. Segundo ela, é essencial aprimorar como os resultados de pesquisas são comunicados à sociedade, principalmente em um contexto de desinformação nas redes sociais.