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Os testes da vacina do laboratório chinês Sinovac contra a Covid-19 estão um passo mais próximos da realização no Brasil. Nesta quarta-feira (1º) o governo de São Paulo, que firmou a parceria para os experimentos por meio do Instituto Butantan, anunciou os 12 centros responsáveis pelos testes, que devem começar já na semana que vem, dependendo apenas da aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Durante os testes, que já são de fase 3, os pesquisadores pretendem aplicar a vacina em 9.000 pessoas em seis estados diferentes: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná e Distrito Federal. Em um teste deste patamar, busca-se aplicar dividir as pessoas em dois grupos: um que recebe a vacina, e outro que recebe um placebo; a partir daí, a expectativa é que pessoas se exponham ao vírus para saber se há alguma diferença no resultado dos dois grupos para aferir a eficácia da vacina e sua capacidade de imunização. Não à toa, profissionais da saúde que lidam diretamente com a Covid-19 e têm mais risco de contágio são as pessoas ideais para participarem do experimento.

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Em São Paulo, há sete instituições envolvidas na realização dos testes. São elas o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, o Instituto de Infectologia Emílio Ribas e o Hospital Israelita Albert Einstein na capital, e a Universidade Municipal de São Caetano do Sul, o Hospital das Clínicas da Unicamp em Campinas, a Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto e o Centro de Saúde Escola da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto.

Já em outros estados, a Universidade de Brasília (UnB) será responsável pelos testes no Distrito Federal, enquanto o Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas será responsável no Rio de Janeiro. Também participam o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Fármacos da Universidade Federal de Minas Gerais, o Hospital São Lucas da PUC do Rio Grande do Sul e o Hospital das Clínicas da Universidade Federal do Paraná.

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Vale notar que a vacina da Sinovac, batizada de CoronaVac, já passou por duas etapas de teste antes de sua chegada ao Brasil, que permitiram aferir sua segurança em grupos menores de pacientes. Segundo a empresa, os dados mostraram que 90% dos voluntários desenvolveram os anticorpos desejados após duas semanas da aplicação da segunda dose do composto, o que é positivo, mas ainda não se sabe o quão eficaz será a fórmula para efetivamente prevenir o contágio. É o que será medido no Brasil.

Em caso de sucesso, a parceria com o governo de SP permitirá a transferência de tecnologia da Sinovac para o Instituto Butantan, e a vacina poderá ser produzida nacionalmente e distribuída para o país inteiro pelo SUS. Segundo Dimas Tadeu Covas, diretor do instituto e membro do Comitê de Contingência do Coronavírus, a capacidade de produção é de 100 milhões de unidades da vacina, mas serão necessárias adaptações que podem levar até dez meses.