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Um novo estudo publicado na revista Communicative & Integrative Biology aponta que plantas de diferentes espécies podem trocar sinais elétricos subterrâneos. Embora a pesquisa não esclareça a finalidade de tais transmissões, cientistas acreditam que o fenômeno pode caracterizar um sistema de comunicação importante para a sobrevivência desses seres vivos.

O trabalho se apoia em uma série de experimentos físicos e modelos matemáticos, que permitiram aos autores explorarem a dinâmica da troca de sinais elétricos entre as plantas. Eles simularam estímulos elétricos nos vegetais para testar como as ondas são transmitidas no solo.

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Os testes incluíram diferentes tipos de plantas em vasos separados. Os resultados apontaram que sem um condutor elétrico conectando as duas plantas, a conexão é interrompida. Porém, quando os objetos são associados a um fio de prata, a rede de transmissão é restabelecida e a troca de sinais acontece.

As dinâmicas observadas pelos autores sugerem que qualquer tipo de condutor elétrico pode ser usado para criar a comunicação entre as plantas. Segundo artigo do Science Alert, experimentos anteriores tinham apontado que Micorrizas, uma associação mutualística entre certos fungos e raízes de plantas, podem servir como condutoras de sinais elétricos subterrâneos.

Além disso, foi constatado que as características de transmissão de sinais são similares em diferentes tipos de plantas, o que sugere a possibilidade de diferentes espécies trocarem sinais para se comunicarem, diz o Science Alert. A pesquisa conduziu experimentos com Aloe Vera, também conhecida como babosa, e repolhos. Estudos anteriores testaram a comunicação somente entre pés de tomates.

Reprodução

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Aloe Vera ou babosa. Imagem: Erin Silversmith/Wikipedia

“Eu suspeito que é definitivamente possível que esses sinais se propaguem pelas raízes e se espalhem no solo comum a partir de um pé de tomate até, podemos dizer, um carvalho”, pontuou Yuri Shteseel, autor do estudo e engenheiro elétrico na Universidade do Alabama. “O solo pode agir como um condutor”, completa.

De acordo com o Science Alert, o estudo abre portas para estudar novas substâncias condutores no solo e outras dinâmicas próprias das plantas, por exemplo, como elas reagem ao toque de outros seres vivos.

Shteseel afirma que ainda não foram realizadas análises do processamento cognitivo dos sinais elétricos transmitidos e captados pelas plantas. Ele acrescenta que outro desafio é estudar se as plantas podem transmitir ondas elétricas através do ar. “Esta é uma história diferente que ainda não foi profundamente estudada.”, afirma o cientista.

Fonte: Science Alert