Entenda como casas de câmbio virtual impediram estrago maior do mega-ataque ao Twitter

Segundo a Forbes, hackers poderiam ter roubado até 2 vezes mais criptomoedas, causando um rombo de mais de um milhão e meio de reais
Davi Medeiros 21/07/2020 11:06, atualizada em 29/11/2022 20:24
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Na última semana, o Twitter foi alvo de um dos maiores ataques de sua história. Hackers invadiram as contas de celebridades como Elon Musk, Bill Gates, Jeff Bezzos, e até de Joe Biden, candidato à presidência dos Estados Unidos.  

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Os invasores publicaram mensagens parecidas em todas as contas. Eles pediam que os seguidores fizessem depósitos em uma carteira de bitcoin, dizendo que devolveriam em dobro cada valor transferido. O golpe tinha de ser concluído rapidamente, então os tuítes davam o prazo de 30 minutos para que fossem realizadas as transações. No calor do momento, muita seguidores acreditaram.

“Todos me pedem para dar de volta o que recebo, e chegou a hora. Estou dobrando os pagamentos feitos ao meu endereço de Bitcoin pelos próximos 30 minutos”: twitter dos hackers na conta de Bill Gates. Imagem: Twitter

Como resultado, os hackers conseguiram roubar cerca de 12 bitcoins. Na cotação atual, isso equivale a mais de US$ 110 mil (em torno de R$ 586 mil).

A quantia impressiona, entretanto, segundo a Forbes, o estrago poderia ter sido bem pior. De acordo com a publicação, o Twitter e as maiores exchanges de bitcoin (casas de câmbio virtuais que operam a moeda) agiram rapidamente para conter o golpe. 

A rede social agiu na fonte do problema, proibindo todas as contas verificadas de publicarem sobre carteiras de bitcoin. Já as casas de câmbio virtuais colocaram a carteira anunciada pelos golpistas em uma “lista proibida”, bloqueando qualquer tentativa de transação direcionada a ela.

A Coinbase, uma das maiores exchanges de bitcoin dos Estados Unidos, impediu que fossem realizados 1.100 depósitos, algo em torno de 30,4 bitcoins (mais de US$ 280 mil, ou quase R$ 1,5 milhão). 

Outras empresas que negociam moedas digitais seguiram a mesma estratégia de segurança, bloqueando o endereço das carteiras fornecidas pelos golpistas. Foi o caso das gigantes Gemini, Kraken e Binance. Somados, os clientes das três empresas não aproximaram nem ao menos do número de transações bloqueadas pela Coinbase, mas igualmente a maioria que tentou realizar um depósito em carteiras também não conseguiu.    

Perfil dos hackers impressiona

O The New York Times teve acesso a detalhes dos bastidores do ataque. Ao contrário do que se esperava, a ação não partiu de hackers complexamente organizados. Segundo informações obtidas pelo jornal, o golpe foi arquitetado por um grupo de quatro jovens – um deles possui 19 anos e ainda mora com a mãe. 

A ideia de invadir as contas de algumas das maiores personalidades dos Estados Unidos surgiu de uma simples bate-papo. Um dos invasores, Kirk, afirmou que trabalhava no Twitter e que, se quisesse, conseguiria acessar a conta de qualquer pessoa. Os colegas duvidaram, e ele quis provar o que dizia era verdade. 

Mais informações sobre o caso devem aparecer conforme a investigação, que ainda está no início, avançar. Ainda não se sabe, por exemplo, se esta foi a única vez em que Kirk acessou a conta das celebridades ou se ele já teve acesso a informações privilegiadas. 

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Davi Medeiros

Davi Medeiros é redator(a) no Olhar Digital

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