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Não estranhe se você ouviu pouco – ou mesmo se não ouviu – sobre o “Bluetooth LC3”. Trata-se de um projeto bastante técnico de aprimoramento da tecnologia que conecta vários dispositivos sem a necessidade de fios, com uma finalidade bastante específica: a melhoria de sons junto de um desempenho mais eficiente e menor consumo de bateria.

Conduzido pelo Bluetooth SIG, o grupo de empresas que estabeleceu o padrão Bluetooth de tecnologia sem fio anos atrás, o LC3 (ou Low Complexity Communication Codec – literalmente “codec de comunicação de baixa complexidade”) teve seu desenvolvimento divulgado pela primeira vez durante a Consumer Electronics Show (CES) 2020, e basicamente consiste da reprodução da menor quantidade possível de bits por segundo, sem ferir a qualidade. Trazendo o produto para a linguagem mais aberta, o LC3, caso se torne o novo padrão, pode ampliar, por exemplo, o tempo de uso dos seus headsets ou earbuds enquanto você executa a sua playlist em seu dispositivo.

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Os pesquisadores por trás do projeto liberaram um áudio comparativo que você pode conferir no site oficial (recomenda-se o uso de fones sem fio, headsets ou earbuds). Note, pelo reprodutor do site, que o codec atual (SBC) começa a soar mais “quebrado” quando passa da marca de 192 kbps (ou “kilobits por segundo”), ao passo que o LC3 segue mais limpo em taxas similares de reprodução. Para entender o comparativo acima, você deve olhar as taxas da maior para a menor: quanto mais kbps, maior qualidade. No caso do LC3, ele só começa a mostrar disparidades sonoras quando abaixo de 100 kbps.

Reprodução

Novo padrão de áudio para dispositivos Bluetooth promete maior qualidade sonora sem desgaste da bateria, beneficiando usuários de headsets e earbuds, por exemplo. Imagem: Reprodução/iStock

Para entender como isso poderia impactar a sua experiência, vamos pensar no streaming de música: geralmente, usuários pagantes de plataformas do tipo contam com opções de gerenciamento de qualidade da música nas configurações – baixa, média, alta e customizada -, certo? Quanto mais alta a qualidade, maior a taxa de reprodução (Kbps) e, consequentemente, mais desempenho do smartphone e dos fones Bluetooth serão exigidos. Reduza a qualidade e você conserva a bateria, mas perde em qualidade sonora.

No caso do LC3, essa necessidade de redução pode ser mais atenuada, já que você, teoricamente, poderia ouvir uma configuração de qualidade “média” no Spotify, mas o som em seus fones seria semelhante à opção mais elevada.

O LC3 é uma das diversas soluções em pesquisa por especialistas e audiófilos. Tudo isso vem sendo posicionado sob a categoria “Bluetooth LE Audio”, que reúne todos esses avanços. Um outro recurso dessa categoria, por exemplo, é a capacidade de multiconexão, que permite que você conecte dois ou mais aparelhos e reproduza-os simultaneamente.

De acordo com o Bluetooth SIG, algumas fabricantes já estão desenvolvendo produtos pelo padrão LC3, mas o grupo não citou nomes, embora tenha estimado suas chegadas já para 2021.

Fonte: Bluetooth.com