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Em 2013, uma onda de calor atingiu o Oceano Pacífico e dizimou parte da vida marinha na costa da América do Norte. Cientistas estimam que o evento provocou a morte milhares de aves, peixes e mamíferos, além de ter comprometido a atividade pesqueira na região. Um novo estudo, da Universidade de Bern, na Suíça, agora sugere que anomalias como essa podem ser mais comuns em consequência das mudanças climáticas provocadas pelo homem.

Os autores analisaram registros de ondas de calor marinhas identificadas entre 1981 e 2017 e selecionaram os principais eventos de acordo com os critérios mínimos de 40 dias de duração, extensão de 1,5 milhão km² e variação de temperatura de 5 °C.

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O estudo ainda separou as sete maiores ondas de calor mapeadas e calculou a probabilidade de eventos semelhantes ocorrerem com e sem os efeitos do aquecimento global. Os resultados indicaram que as mudanças climáticas induzidas pelo homem aumentaram em 20 vezes as chances do surgimento de novas anomalias.

Segundo os pesquisadores, antes do impacto humano na temperatura do planeta, grandes ondas de calor marítimas, como a ocorrida em 2013, aconteciam apenas uma vez em algumas centenas de anos. A investigação sugere, no entanto, que um aumento de 3 °C, na temperatura do planeta poderia induzir a ocorrência desses eventos anualmente.

Reprodução

Ondas de calor que se propagaram no Pacífico entre 2013 e 2016 dizimaram populações de uma série de espécies de peixes, entre elas o salmão-prateado. Imagem: US Bureau of Land Management/Reprodução Nasa

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As estimativas, no entanto, podem não se confirmarse a variação da temperatura do planeta for estabilizada. Neste caso, os oceanos poderiam absorver e redistribuir o calor com o tempo. O aumento da frequência das anomalias poderia levar “organismos e ecossistemas marinhos além de seus limites térmicos e de tolerância ao estresse, o que poderia causar mudanças irreversíveis”, alertam os cientistas, em artigo publicado na revista Science.

Impacto

O estudo aponta ainda que as ondas de calor provocam uma enorme e contínua mudança na cadeia alimentar de regiões afetadas, com a redução da presença de plânctons ricos em nutrientes e proliferação de zooplânctons gelatinosos pobres em recursos nutritivos. Isso deve causar impactos não só na vida marinha, mas também nas atividades de pessoas que dependem dos oceanos para obter renda e sustento.

“Para manter a existência de ecossistemas marinhos resilientes e produtivos e para evitar que muitas regiões oceânicas atinjam um estado de ondas de calor contínuas e severas, o aquecimento global precisa ser severamente limitado”, afirmam os autores.

Via: ScienceAlert