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Astrônomos identificaram, em agosto, um objeto espacial que está a caminho de entrar na órbita da Terra, a uma altitude de 27 mil quilômetros. Embora a natureza da descoberta ainda seja incerta, pesquisadores suspeitam que pode se tratar das partes de uma antiga espaçonave que decolou na década de 60.

Denominado 2020 SO, o objeto recebeu a classificação de minilua – essa categoria descreve corpos espaciais que ficam presos temporariamente na órbita do nosso planeta. Cientistas estimam que a minilua deve orbitar a Terra entre outubro de 2020 e maio de 2021. 

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O diretor do Centro de Estudos de Objetos Próximos à Terra da Nasa, Paul Chodas, acredita que o objeto misterioso corresponde a um estágio de um foguete da missão Surveyor-2, de 1966. A operação tinha o intuito de explorar a superfície da Lua, mas não alcançou o objetivo. Uma falha em um dos propulsores da espaçonave comprometeu o controle do veículo, que se chocou com o solo lunar.

Reprodução

Sombra da sonda Surveyor-1 na Lua. Imagem: JPL-Nasa

“Suspeito que este objeto recém-descoberto 2020 SO seja um velho foguete porque segue uma órbita sobre o Sol extremamente semelhante à da Terra, quase circular, no mesmo plano, e apenas um pouco mais distante do Sol em seu ponto mais longínquo”, afirmou Chodas, em entrevista à CNN.

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De acordo com o representante da Nasa, as características da órbita do objeto correspondem aos movimentos que um estágio de foguete ejetado de uma missão lunar seguiria. Chodas explica que é “improvável” um asteroide apresentar um curso orbital semelhante, embora não seja impossível.

Para chegar à hipótese, o astrônomo ainda aplicou simulações do movimento orbital da minilua no passado e identificou que provavelmente o objeto espacial esteve nas proximidades da Terra no final de 1966 – ou seja, no mesmo ano da missão Surveyor-2.

Fim do mistério está próximo

Segundo Chodas, em cerca de um mês será possível detectar o efeito da pressão da luz solar sobre o movimento do objeto misterioso. Isso deve indicar definitivamente se o 2020 SO é ou não um pedaço de um foguete.

“Se realmente for um corpo de um foguete, ele será muito menos denso que um asteroide e a leve pressão induzida pela luz solar produzirá mudanças suficientes em seu movimento para que possamos detectar [essas alterações] nos dados de monitoramento”, afirmou Chodas à CNN.

De acordo com o pesquisador, é raro que estágios de foguete há tempos à deriva no espaço sejam capturados pela órbita do Sol e se aproximem da órbita da Terra. O único episódio, diz Chodas, aconteceu em 2020 com um pedaço do foguete Saturno V da missão Apollo 12.

Via: CNN/Teslarati