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A Apple está silenciosamente aumentando seus esforços para criação de um sistema próprio de buscas na web, que não dependa de um acordo milionário com o Google, que é o buscador padrão em sistemas operacionais como o iOS, iPad OS e mac OS.

De acordo com o Irish Times, o primeiro resultado pode ser visto no iOS 14. Os resultados de buscas feitas deslizando para a direita na tela inicial, o que a Apple chama de “Today View”, são gerados pelo mecanismo de busca interno da Apple. Isso inclui resultados de termos gerados via “autocompletar”, o que mostra que a empresa está aprendendo com os hábitos de seu bilhão de usuários ativos.

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O desenvolvimento do motor de buscas estaria sendo liderado por John Giannandrea, ex-gerente de buscas no Google, que tem oito anos de experiência como responsável pelo sistema de busca mais popular do mundo. Ele foi contratado pela Apple há 2 anos, oficialmente para trabalhar em inteligência artificial e na assistente digital Siri.

Outro sinal dos esforços da Apple é uma maior atividade do Applebot, o “robô” da Apple que é usado para indexar o conteúdo de sites, criando o banco de dados que é o coração de qualquer sistema de busca.

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Segundo Suganthan Mohanadasan, consultor de marketing digital, o Applebot vem aparecendo “um número ridículo de vezes” nos registros de acesso dos sites de seus clientes nas últimas semanas. “Quando a taxa de indexação sobe, isso nos diz que eles estão tentando coletar mais informações”.

Reprodução

Alguns resultados de buscas no iOS 14 já estariam sendo gerados pelo novo buscador. Imagem: Apple

Investigação antitruste

Ao desenvolver seu próprio mecanismo de busca, a Apple não pretende concorrer com o Google. Na verdade, o projeto seria uma espécie de “seguro” devido a um processo antitruste movido contra o Google pelo governo dos EUA, que acusa a empresa de ter um monopólio injusto sobre publicidade relacionada a pesquisas.

“O Google paga bilhões de dólares a cada ano a distribuidores para garantir o status do seu mecanismo de busca e, em muitos casos, para proibir especificamente as contrapartes do Google de negociar com concorrentes”, afirma o processo. Entre os distribuidores, o Departamento de Justiça destaca fabricantes de smartphones (Apple, LG, Motorola e Samsung), operadoras sem fio dos EUA (AT&T, T-Mobile e Verizon) e desenvolvedores de navegadores (Mozilla, Opera e UCWeb).

Só no Reino Unido, o Google paga US$ 1,5 bilhão para a Apple para que seu mecanismo de busca seja o padrão nos iPhones vendidos no país. Nos EUA, este valor seria de US$ 8 a US$ 12 bilhões, e é um dos pontos centrais da investigação.

Isso, de acordo com a agência reguladora de mercado no Reino Unido, cria “uma barreira significativa de entrada e expansão” para potenciais concorrentes do Google.

“Mecanismos de busca rivais com os quais conversamos destacaram que esses pagamentos estão entre os fatores que mais inibem competição no mercado de pesquisas. Consumidores acessam internet primariamente via dispositivos móveis, que representam dois terços de todas as buscas gerais, uma fatia que cresceu consideravelmente nos últimos anos e deve continuar crescendo no futuro,” diz o relatório.

Fonte: Irish Times