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Os resultados de uma nova pesquisa genética que estudou a fundo o DNA de ancestrais caninos levantou novas hipóteses sobre a história humana, ainda em um período prévio ao desenvolvimento da agricultura.

O trabalho, conduzido por diversos pesquisadores multidisciplinares, sequenciou o DNA de diversos fósseis de cães, com idades datadas entre 11 mil e 100 anos. A localização de cada ossada estudada também é determinante para se entender como o desenvolvimento dos cães se deu em diferentes partes do mundo.

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A primeira grande descoberta é que os cães se separaram em diferentes linhagens muito antes do seres humanos se tornarem sedentários, ou seja, realizarem a prática da agricultura e abandonarem, em sua grande maioria, o nomadismo. Isto significa que estes animais já estavam desenvolvendo aspectos de domesticação ainda enquanto os humanos eram caçadores-coletores. “No final da Idade do Gelo, antes que qualquer outro animal fosse domesticado, os cães já haviam se ramificado em linhagens separadas e se espalhado pelo mundo”, afirmou Anders Bergström, pós-doutor no Instituto Francis Crick e um dos autores do estudo.

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Lobos e cães passaram a ter uma separação de raças há 11 mil anos, partindo para um processo de domesticação. Foto: WorldInMyEyes/Pixabay 

A evolução dos cães teve sucesso ao longo dos últimos milhares de anos, ressalta Bergström: “Muitas dessas linhagens ainda estão representadas hoje, nos cães de hoje: podemos observar cães em um parque e ver o resultado desse processo que começou antes de qualquer ser humano começar a cultivar.”

A descoberta também levanta uma importante hipótese dentro das pesquisas sobre evolução: é muito provável que o ser humano teve influência neste processo, uma vez que a domesticação de diversos animais, e o consequente aparecimento de novas raças, é resultante de uma evolução artificial. “Talvez a seleção artificial já fosse forte, e poderia ser algo consciente que as pessoas estavam fazendo.”, afirma Laurent Frantz, professor de paleogenômica da Universidade Ludwig Maximilian.

Além de trazer ricos detalhes sobre o desenvolvimento dos animais que mais têm contato com os humanos em seu cotidiano moderno, a pesquisa reforça o potencial que a humanidade já possuía de influenciar seu meio ambiente, mesmo antes do desenvolvimento da agricultura e, consequentemente, das civilizações.

Fonte: Wired