Em breve, o Centro Nacional de Tecnologia Eletrônica Avançada (Ceitec), único fabricante da América Latina capaz de produzir chip no silício sem a interferência de terceiros, localizado em Porto Alegre, poderá ser administrado por uma organização social. O decreto que autoriza a liquidação foi assinado por Jair Bolsonaro na semana passada.

Isso significa que uma organização social poderá administrar o Centro, anteriormente de responsabilidade da União. Dessa forma, os gastos para manter o local também podem diminuir.

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Para o próprio Centro, também conhecida como ‘estatal do chip do boi’, a liquidação visa “estudar alternativas de parceria com a iniciativa privada, bem como para propor ganhos de eficiência e resultado para empresa, com vistas a garantir sua sustentabilidade econômico-financeira”.

Segundo a secretaria-geral da Presidência da República, foram realizados estudos apontando que algumas ações podem otimizar os recursos investidos no Ceitec e reduzir despesas estipulados em R$ 80,5 milhões.

Ceitec é o único da América Latina a produzir chip direto do silício sem a interferência de outras empresas ou fornecedoras. Créditos: Gorodenkoff/Shutterstock

Extinção do Ceitec?

Cabe lembrar que a liquidação não quer dizer, necessariamente, que o Centro de Tecnologia será extinto. A absorção por parte de uma organização social significa o redirecionamento das atividades de pesquisa científica, desenvolvimento tecnológico e inovação em microeletrônica.

Em setembro, o jornal O Estado de São Paulo teve acesso a um documento do Tribunal de Contas da União (TCU), o qual indicava não haver razões palpáveis para a extinção do Ceitec.

Com foco em produção de chips para várias finalidades, o Centro representa grande valor para a área tecnológica do país. Além disso, toda fabricação depende apenas do próprio Ceitec: desenvolvimento do projeto, produção e teste, característica que é única no mundo.

No local, são feitos chips, etiquetas eletrônicas e sensores, inclusive os utilizados para pagamento automático em pedágios e estacionamentos, por exemplo.

Contra o encerramento da estatal, Jacobus Swart, diretor da Sociedade Brasileira de Microeletrônica, defendeu a sobrevivência do laboratório. “O Brasil não pode ficar fora dessa área. Tecnologia é cada vez mais importante para a economia e sociedade. Renunciar a isso seria abrir mão de um futuro promissor para o país”, criticou.

Fonte: Uol