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Donald Trump, presidente dos EUA, está trancado para fora do Twitter. É a primeira vez que isso acontece com ele: esse é o nível mais alto de punição da plataforma e veio em um dia de violência na capital americana, Washington DC. Seus mais de 88 milhões de seguidores vão ficar sem seus tuítes por enquanto.

O castigo vai durar 12 horas e inclui, ainda, a remoção de três tuítes. Além disso, a rede social avisou Trump que ele pode receber suspensão permanente se continuar a tuitar teorias da conspiração sem embasamento sobre a eleição e a incitar a prática de violência.

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Trump pediu calma no Twitter depois que os tumultos ganharam força no Capitólio na tarde desta quarta-feira. Os congressistas estavam reunidos para certificar a escolha de Joseph Biden como próximo presidente dos EUA.

Só que esse pedido veio em um vídeo que também foi removido, porque estava repleto de desinformação. Além disso, quando a mensagem foi tuitada, a maior parte dos invasores já tinha sido expulsa do prédio.

Durante todo o dia, o Twitter ficou de olho nas publicações de Trump. Vários tuítes com mensagens confusas sobre os eventos no Capitólio foram sinalizadas pela ferramenta. Foram oito posts marcados como “em disputa”.

Outra rede que excluiu o vídeo publicado por Trump foi o Facebook: a decisão veio depois de horas de debate interno sobre as ações do presidente americano. No YouTube, o material também foi retirado.

A manifestação teve ações coordenadas on e offline. Enquanto alguns apoiadores de Trump invadiam o prédio do Congresso americano, outros celebravam o caos online em diversas plataformas de mídias sociais e pediam derramamento de sangue nos próximos dias.

Conforme as imagens dos tumultos apareciam na TV, o fórum TheDonald.win criou uma “watch party” em que milhares de pessoas apareceram para comentar e compartilhar vídeos para lives da invasão. Na Parler, uma rede social popular entre apoiadores do presidente americano, muitos encorajavam mais violência.

Outros episódios

Não é a primeira vez que as mídias sociais de Trump incitam a violência real. Sete meses atrás, por exemplo, o presidente usou o Twitter para chamar os manifestantes dos protestos por justiça racial em Minneapolis de “bandidos” e disse que saques poderiam levar a tiroteio. Esse post levou o Twitter a puni-lo: seu tuíte foi bloqueado.

À época, críticos pediram que a empresa suspendesse a conta do presidente, mas o Twitter disse que suas políticas permitem que líderes mundiais compartilhem seus posicionamentos livremente. A plataforma manteve essa visão mesmo quando Trump intensificou seus ataques.

Segundo Joan Donovan, diretora de pesquisa no Centro Shorenstein de Mídia, Política e Política Pública da Harvard Kennedy School, conta que a invasão do Capitólio vem depois de semanas de agitação online dos apoiadores de Trump. Eles semearam a ideia de que precisavam “Parar o Roubo” — e perturbar os esforços de contagem de votos em todo o país.

Fonte: Washington Post