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A conta do presidente norte-americano Donald Trump está bloqueada do Facebook e do Instagram “indefinidamente e pelo menos pelas próximas duas semanas até que a transição pacífica de poder seja concluída”, de acordo com o CEO da rede social, Mark Zuckerberg.

A decisão foi tomada à luz dos acontecimentos desta última quarta-feira (6), que levaram centenas de apoiadores do presidente a invadir o Capitólio dos Estados Unidos numa tentativa de impedir a certificação da vitória do presidente eleito Joe Biden.

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O CEO do Facebook diz acreditar que “os riscos de permitir que o presidente continue a usar nossos serviços durante este período são simplesmente grandes demais”.

Trump chegou a ser bloqueado do Twitter por 12 horas por divulgar desinformações enquanto os manifestantes invadiam o prédio federal. A rede social ainda exigiu que o presidente excluísse os tuítes para obter acesso à sua conta, e deixou claro que planeja intensificar seus esforços de fiscalização.

“Intenção seria de provocar mais violência”

“Os eventos chocantes das últimas 24 horas demonstram claramente que o presidente Donald Trump pretende usar seu tempo restante no cargo para minar a transição pacífica e legal de poder para seu sucessor eleito, Joe Biden”, escreveu Zuckerberg em uma publicação no seu perfil pessoal. “Sua decisão de usar sua plataforma para tolerar, em vez de condenar, as ações de seus apoiadores no edifício do Capitólio, perturbou as pessoas nos Estados Unidos e em todo o mundo”, completou o executivo.

Prédio do Capitólio, em Wahsington DC tomado por extremistas de direita
A invasão do prédio que abriga o Congresso norte-americano por extremistas de direita acabou com quatro manifestantes mortos e 14 policiais feridos. Imagem: Alex Gakos/Shutterstock

O Facebook removeu as postagens de Trump por julgar que “seu efeito – e provavelmente sua intenção – seria provocar mais violência”. Em uma série de publicações, o presidente lançou dúvidas sobre a corrida presidencial norte-americana de 2020, incluindo um vídeo no qual espalhava desinformação sobre o resultado da eleição, mesmo quando disse aos manifestantes para deixar a Câmara e o Senado.

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A invasão do Capitólio por extremistas de direita acabou com a morte de quatro pessoas e quatorze policiais feridos. A cerimônia de certificação – a última etapa antes da posse do presidente eleito Joe Biden, e de sua vice Kamala Harris, agendada para o próximo dia 20 – teve que ser adiada até a situação ser controlada, e só foi finalizada na madrugada desta quinta (7).

“Nos últimos anos, permitimos que o presidente Trump usasse nossa plataforma de acordo com nossas próprias regras, às vezes removendo conteúdo ou rotulando suas postagens quando violavam nossas políticas. Fizemos isso porque acreditamos que o público tem direito ao mais amplo acesso possível ao discurso político, mesmo ao discurso polêmico. Mas o contexto atual agora é fundamentalmente diferente, envolvendo o uso de nossa plataforma para incitar uma insurreição violenta contra um governo eleito democraticamente”, afirma Zuckerberg.

Facebook vs QAnon

Além do banimento de Trump, a rede social afirmou que está removendo qualquer conteúdo que “elogie e apoie à invasão do Capitólio dos EUA”, pedidos para que as pessoas vão armadas a protestos nos EUA – “não apenas em Washington, mas em qualquer lugar” – e convocações para manifestações que violem o toque de recolher na capital norte-americana.

Homem encapuzado vestindo um moletom Qanon em uum comício de Donald Trump com um caminhão e bandeiras à sua frente
Na véspera das eleições, em novembro, um apoiador de Donald Trump exibe um moletom com referência à teoria da conspiração Qanon em um comício. Imagem: Julian Leshay/Shtterstock

Publicações que tentam deslegitimar os resultados da eleição receberão um aviso que diz: “Joe Biden foi eleito presidente com resultados que foram certificados por todos os 50 estados. Os EUA têm leis, procedimentos e instituições estabelecidas para garantir a transferência pacífica do poder após uma eleição”.

De acordo com a rede social, medidas coercitivas foram tomadas nos últimos dias para barrar movimentos sociais militarizados “como os Oathkeepers e a teoria da conspiração que induz a violência QAnon”. A empresa reforça que manteve sua proibição de grupos de ódio, “incluindo os Proud Boys e muitos outros”. Mais de 600 movimentos sociais militarizados foram retirados da plataforma.