A Twitch anunciou o banimento do emoji (ou emote) PogChamp de sua plataforma após o seu modelo de inspiração, o jogador profissional de “Street Fighter” Ryan “Gootecks” Gutierrez, incentivar o uso de violência após a morte de uma mulher durante a invasão do Capitólio em Washington, nos Estados Unidos, na última quarta-feira (6).

“Nós tomamos a decisão de remover o emote ‘PogChamp’ após afirmações do rosto do emote encorajando mais violência após o ocorrido no Capitólio”, disse a plataforma em sua conta oficial no Twitter. “Nós queremos que o sentimento e o uso do ‘Pog’ siga vivo – o seu significado é muito maior do que a pessoa representada por ele ou a imagem dele próprio – e  ele tem uma enorme influência na cultura da Twitch. Nós continuaremos a trabalhar com a comunidade para criarmos um novo emote para os momentos de maior hype”.

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O PogChamp era uma representação do rosto de Gutierrez – capturado de um vídeo postado por ele em 2010 em seu canal no YouTube. Basicamente, o emote era usado pra representar momentos de grande “hype” em transmissões de jogos da plataforma, como por exemplo grandes viradas em jogos de luta e outras situações similares.

Entenda o caso

Gutierrez, assumidamente conservador e eleitor do agora ex-presidente americano, Donald Trump, estava tuitando em favor da invasão de eleitores do Partido Republicado feita ao Capitólio.

“Haverá [alguma] agitação civil para a mulher que foi executada no Capitólio hoje, ou a ‘mártir do MAGA’ vai morrer em vão? O vídeo vai ao ar logo menos no (site censurado) e (site censurado) e parece que é bem pesado”, disse o infuenciador no Twitter – as censuras foram posicionadas pela própria rede social. “MAGA” refere-se à sigla que serviu de slogan para Donald Trump: “Make America Great Again”, ou “Faça a América ser Grande de Novo”, na tradução literal.

imagem de Ryan Gutierrez, criador do emoji PopChamp
Imagem que deu origem ao emote PogChamp, banido pela Twitch. Rosto é do influenciador Ryan “Gootecks” Gutierrez, retirado de vídeo publicado por ele no YouTube. Imagem: Gootecks/Reprodução

Pouco tempo depois, Gutierrez tuitou o vídeo, que não vamos reproduzir aqui devido ao seu conteúdo gráfico. O vídeo parece ser uma gravação de um celular filmando a tela de um laptop, onde é possível identificar o site InfoWars, fundado por Alex Jones – um notório conspiracionista que foi banido de diversas plataformas de distribuição de conteúdo em 2018.

Na ocasião mencionada por Gutierrez, ocorria a cerimônia de reconhecimento da vitória do democrata Joe Biden, que venceu Trump nas eleições presidenciais realizadas em 3 de novembro do ano passado. No decorrer do caso, uma mulher – posteriormente identificada como Ashli Babbitt, ex-oficial da Força Aérea e natural do estado da Califórnia – acabou morta pela polícia local, que protegia o Capitólio.

Ryan Gutierrez não respondeu à ação promovida pela Twitch, mas as respostas ao seu tuíte original se mostraram divididas: enquanto alguns acusaram ambas as plataformas (como Twitch e Twitter) de censurar o influenciador e apoiar as invasões, outros o criticaram por apoiar o que chamaram de um ato terrorista.

Fonte: Twitch