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Notícias falsas envolvem criação de vacina contra a Covid-19

Redação 8 de janeiro de 2021
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Com eficácias que variam de 62% a 95%, as diferentes vacinas já disponíveis contra a covid-19 são essenciais para que o mundo controle a pandemia. Não há imunizante pior ou melhor, fraco ou forte, que protege menos ou mais.

O que há são fórmulas feitas com diferentes tecnologias, como você viu aqui nesta série, mas com o mesmo propósito: estimular o organismo a produzir anticorpos contra um agente infeccioso. A microbiologista Natalia Pasternak explica.

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Mesmo assim, os mais diversos tipos de notícias falsas sobre a vacina contra a covid-19 e sua produção foram, e ainda são, espalhados em todo o mundo. Uma delas se assemelha muito com ficção científica: ela diz que há um chip na vacina para permitir o controle populacional.

Existe também um boato que diz que as vacinas que usam RNA mensageiro podem modificar o DNA humano. Quando se observa a biologia das células humanas, fica claro que isso não é possível.

Nosso DNA fica no núcleo das nossas células e o RNA mensageiro enviado para estimular o organismo a se defender só circula no citoplasma. Ou seja, existe um distanciamento social bastante efetivo entre eles. E essa tecnologia pode revolucionar o desenvolvimento de imunizantes.

Muito tem se falado também sobre a rapidez no desenvolvimento das fórmulas contra a covid-19. Até agora, a vacina produzida mais rapidamente tinha sido a que combate a caxumba: ela demorou quatro anos para ficar pronta. E isso já havia sido uma grande evolução, considerando que a média de tempo de desenvolvimento é de oito anos.

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Por isso, há quem acredite que nem todas as etapas foram realizadas na criação das fórmulas contra a covid-19. Mais um boato: todos os processos foram rigorosamente seguidos, mas o investimento nas pesquisas foi alto e isso permitiu que elas fossem concluídas em menos tempo. A colaboração científica também foi inédita.

Há ainda quem questione a capacidade do imunizante de produzir anticorpos. Isso porque ainda não está claro por que algumas vítimas da covid-19 não desenvolvem imunidade mesmo depois de se recuperarem da doença. E será que uma vacina seria capaz de fazer isso?

Desde a divulgação da taxa de eficácia da vacina CoronaVac, na tarde de quinta-feira, outro boato passou a circular: o de que a fórmula tem um índice baixo de proteção. Isso não é verdade. Ser capaz de proteger 78% de uma população vacinada é um resultado muito expressivo quando se fala de imunizantes.

Para se ter uma ideia, a vacina da gripe tem eficácia variável. Em geral, ela fica em torno de 50 a 60%, mas em 2018 protegeu apenas 25%. E, mesmo assim, é extremamente importante que ela esteja no calendário anual de vacinação para proteger os grupos mais frágeis.

A disponibilidade das vacinas aqui no Brasil ainda é incerta, mas os especialistas já alertam que vamos precisar de todas as doses que conseguirmos comprar, dos mais diferentes fabricantes. Então, aquela brincadeira de querer tomar todas as fórmulas para garantir a imunização deve ser mantida somente como piada mesmo.

Ao longo desta semana, você conheceu aqui as três tecnologias das vacinas contra a covid-19 que já estão sendo aplicadas em diferentes partes do mundo. A Ciência tem atuado incansavelmente para ajudar a conter a pandemia. E o desenvolvimento da vacina foi um dos trabalhos mais emocionantes do ano passado.