Um estudo da Universidade do Estado de Washington (WSU) revelou novos aspectos sobre o relacionamento entre cães e humanos. Segundo os pesquisadores, os cães, na realidade, são melhores amigos das mulheres, e não dos homens, como popularmente são conhecidos os animais domésticos.

young woman hugs her dog as they sit in a field
Estuda aponta o relacionamento especial dos cães com as mulheres. Imagem: Petar Paunchev/Shutterstock

Jaime Chambers, Ph.D em antropologia pela WSU, observou que, historicamente, os cães foram incluídos na vida em família e tratados com mais afeição quando existia um relacionamento especial do animal de estimação com uma mulher. Assim, em vez de serem os melhores amigos do homem, os cães seriam, na verdade, mais amigos das mulheres.

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Outro padrão encontrado nos documentos históricos mostra que, quando os cães eram mais próximos das mulheres, sua utilidade na sociedade, não apenas como animal doméstico, também aumentava.

Processo coevolutivo entre cães e humanos

Apesar de os cães serem um dos animais domésticos mais antigos do mundo, poucos estudos se dedicam a entender melhor o seu relacionamento com os humanos.

“A sociedade moderna corresponde apenas a uma pequena fração na linha do tempo da história humana”, disse Chambers. Segundo a pesquisadora, o relacionamento entre humanos e cães não era exatamente igual ao que conhecemos hoje.

Ainda assim, na coleção de documentos etnográficos da universidade, várias citações já indicavam essa ligação afetiva entre as espécies e o tratamento dos cães como um indivíduo, onde os cachorros já recebiam nomes próprios e dormiam junto dos humanos.

Homem andando seu cão na floresta
A caça foi uma das práticas de sobrevivência que aproximou às duas espécies. Imagem: Gajus/Shutterstock

Os cães e o clima

Com relação ao clima, por exemplo, o estudo mostra que os cães eram menos úteis para os humanos em ambientes mais quentes. “Se comparado aos humanos, os cães não são exemplo de eficiência energética”, declarou Robert Quinlan, professor de antropologia da WSU.

Com a temperatura corporal mais alta, apenas um pouco de exercício já é o suficiente para deixá-los cansados. Ainda assim, Quinlan notou algumas exceções à regra dentro de algumas culturas que residiam perto dos trópicos.

A caça foi outra prática que aproximou os cães dos humanos. Nas culturas que utilizavam os cachorros como caçadores, os animais eram de grande valor. No entanto, quando a sociedade passou a produzir comida em larga escala, essa atividade acabou diminuindo. Em algumas culturas, o papel relevante dos caninos ainda se manteve, porém, em outras atividades como o pastoreio, onde os cães geralmente trabalham sozinhos.

Por fim, diferente de outras teses que apontam que o primeiro contato com os cães teria ocorrido quando os humanos criaram filhotes de lobo por conta própria, o novo estudo reforça a teoria evolutiva que diz que as espécies, na verdade, se escolheram. “Os cães estão por toda parte”, disse Chambers, acrescentando que “eles se engajaram a nós e nos seguiram por todo o mundo”.

Fonte: Phys.org