O Twitter anunciou que acaba de atualizar a sua API, ampliando recursos de estudo para auxiliar pesquisadores acadêmicos. A mudança deve facilitar o compartilhamento de pesquisas com governos e entidades interessadas. Conforme anúncio oficial no blog oficial da empresa para desenvolvedores, a novidade estará disponível a partir desta terça (26).

A API, Interface de Programação de Aplicações em tradução livre, do Twitter foi originalmente aberta para desenvolvedores em 2006. Ela permite aos programadores e outros especialistas não contratados pela empresa o desenvolvimento de recursos que podem ser integrados à plataforma. O produto TweetDeck é um exemplo, uma conhecida aplicação que pode ser conectada a várias contas do Twitter ao mesmo tempo e é bastante usada por profissionais de redes sociais. Em 2020, ela passou por uma atualização robusta que reformulou seus métodos de entrada.

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Linha do tempo contando a história da API do Twitter, desde sua liberação em 2006 até hoje. Imagem: Twitter/Divulgação

“Uma das maiores reclamações que recebíamos era em relação aos nossos preços”, conta Leanne Trujillo, gerente sênior de Programação. “Nós contávamos com três pilares – um gratuito, para desenvolvedores independentes e dois pagos, voltados a empresas”.

Trujillo revela que os pesquisadores acadêmicos tinham quase as mesmas necessidades que grandes empresas, porém não contavam com o mesmo financiamento e capital. Por isso, estreando hoje (26), o Twitter estabelece uma linha gratuita de acesso para pessoas atreladas a instituições de ensino e pesquisa.

A empresa criou um novo formulário, específico para aplicações de candidatos que sejam adequados a esta categoria. Uma vez aprovados pela empresa, os pesquisadores acadêmicos terão acesso a uma série de recursos para seus estudos, encabeçados pelo termo abrangente “Endpoint V2”.

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Prévia do novo formulário, de uso exclusivamente acadêmico, para que pesquisadores consigam usar os recursos da API do Twitter de forma gratuita em suas pesquisas. Imagem: Twitter/Divulgação

O recurso mais destacável do anúncio foi a capacidade de acessar o histórico completo de conversas públicas por meio do endpoint de pesquisa de arquivo, que antes era limitado a clientes premium ou empresariais. Outra novidade é a capacidade aprimorada de filtragem de amostras, permitindo que a pesquisa de dados se concentre apenas em dados relevantes para o tema tratado pelo acadêmico.

“Sabemos que toda pesquisa acadêmica é retroativa”, explica Trujillo. “Cientistas de todo tipo devem olhar para trás para estabelecer históricos, linhas do tempo e tendências de comportamento”, explica. Entretanto, os executivos ressaltam que, ao menos por hora, apenas terão acesso à ferramenta os pesquisadores atrelados a entidades de estudo. “Sabemos que existem, por exemplo, jornalistas ligados ao estudo de dados e estatísticas, porém, eles não são necessariamente atrelados a uma instituição oficial. Por isso, ao menos por ora, isso ainda não será disponibilizado a eles”, explica Adam Tornes, gerente de Produto do Twitter.

O Twitter alegou ainda se empenhar para “educar” pesquisadores no uso da tecnologia de sua API. “Estudiosos acadêmicos não são programadores. Na verdade, mesmo aqueles que têm algum domínio sobre isso se revelaram autodidatas, aprendendo conforme usavam a plataforma”, conta Tornes. “Nessa nova atualização, nós criamos novos guias técnicos para maximizar o emprego de seus estudos, abordando tudo desde métodos de uso e implementação, inserção de dados pesquisados e até o compartilhamento de pesquisas com partes interessadas”.

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Estudos acadêmicos conduzidos por várias entidades, como a Universidade Penn State, beneficiaram pesquisadores na luta contra a Covid-19 graças à API do Twitter. Imagem: TnkImages/Shutterstock

Tornes comenta que muito do que o Twitter vem fazendo com sua API nos últimos dois anos é resultado dessa aproximação da empresa com a comunidade acadêmica. O “endpoint da Covid-19”, por exemplo, lançado em abril de 2020, teve como objetivo estabelecer um hub de informações oficiais, verificadas e confirmadas do novo coronavírus, combatendo à desinformação.

“Em outubro de 2020, testamos [alguns recursos] em um programa beta privado, em que recebemos o feedback dos usuários, os quais foram nos guiando por aspectos mais importantes da pesquisa acadêmica pelo Twitter”, explicou Tornes.

Para 2021, a empresa diz que ainda planeja lançar novos recursos educacionais para acadêmicos, níveis mais elevados de acesso a novos produtos e maior auxílio para que estudos dos pesquisadores sejam compartilhados com o público.

O Olhar Digital participou de uma mesa redonda com jornalistas de vários países a convite do Twitter.