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A nova variante do coronavírus detectada primeiro no Amazonas está, aos poucos, se expandindo além das fronteiras brasileiras. Segundo novo boletim da Organização Mundial da Saúde, a variante, com o nome oficial de P.1, já foi detectada em 8 países.

A descoberta da P.1 aconteceu não graças a esforços epidemiológicos brasileiros. A variante do coronavírus só foi detectada quando viajantes brasileiros que estiveram em Manaus foram examinados no Japão em 10 de janeiro. Duas semanas depois, os Estados Unidos confirmaram o primeiro caso de infecção pela mutação P.1 no estado de Minnesota.

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Boletim mostra que casos foram encontrados no Japão, Estados Unidos e Europa. Imagem: Reprodução

O boletim da OMS faz menção ao fato de que a nova variante do coronavírus já se tornou dominante no Amazonas. Em dezembro, ela era responsável por 52,2% dos casos analisados (35 em 67), mas agora em janeiro ela já é causa de 85,4% dos casos acompanhados (41 em 48). Isso levanta a suspeita de que a variante P.1 pode ter alguma vantagem em transmissibilidade em comparação com as cepas mais antigas. No entanto, a OMS faz a ressalva de que são necessários mais estudos para confirmar se realmente há alguma diferença em transmissibilidade, em severidade ou na capacidade de fugir da atividade dos anticorpos neutralizantes de infecções prévias ou vacinas.

Na terça-feira (26), o estado de São Paulo também confirmou as primeiras infecções com a variante P.1, após a realização de sequenciamento genético em amostras de pacientes que passaram por Manaus ou moram na cidade.

A mutação apresenta algumas mudanças na proteína conhecida como “spike”, que é utilizada pelo vírus para se ligar às células humanas e poder injetar o seu material genético e se replicar. É uma proteína-chave na cadeia de replicação do coronavírus e, não à toa, é o alvo de boa parte das vacinas que estão em uso ou em desenvolvimento.

A P.1 está em um rol de mutações preocupantes, como as variantes descobertas no Reino Unido, que já foi detectada em 69 países, e na África do Sul, encontrada em 25 países, que têm o risco de serem mais transmissíveis ou então de fugirem da resposta imunológica produzida pelas vacinas ou por infecções prévias. No caso da mutação britânica, o governo local manifestou uma suspeita de que ela também seja cerca de 30% mais letal.

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Vale notar também que, mesmo se a letalidade do vírus permanecer inalterada, o aumento da transmissibilidade é o suficiente para causar mais mortes, já que, quanto mais casos, maiores são as chances de que alguns deles se tornem graves, causando maior ocupação de leitos e, causando mais óbitos.