Uma reportagem do The Wall Street Jounal publicada nesta terça-feira (2) revelou que cientistas de dados do Facebook já haviam alertado meses antes da invasão ao Capitólio sobre a radicalização do discurso de usuários de extrema-direita dentro dos chamados “grupos cívicos”. 

De acordo com a publicação, os cientistas de dados apresentaram um relatório interno em agosto do ano passado em que apontava que cerca de 70 dos 100 grupos cívicos mais populares dos Estados Unidos eram classificados como “não recomendáveis”. As razões iam desde disseminação de notícias falsas até intimidação e assédio, além de fortes apelos à adoção de métodos violentos de manifestação. 

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Os pesquisadores também apontaram no relatório que os administradores desses grupos frequentemente ensinavam métodos para que os membros aprendessem a driblar os mecanismos de controle dos algoritmos do Facebook contra discursos de ódio e violentos, além de ameaçarem de expulsão os membros que sinalizassem publicações como sendo ofensivas. 

Por conta deste cenário, os cientistas sugeriram uma série de medidas que pudessem frear o crescimento desses grupos. “Precisamos fazer algo para impedir que essas conversas aconteçam e cresçam tão rapidamente”, dizia o relatório. “Nossos sistemas de integridade existentes, mas não estão tratando desses problemas”. 

Grupos citados no relatório questionaram resultado das eleições

Em uma resposta, o Facebook chegou a banir alguns dos grupos classificados como problemáticos da plataforma antes das eleições presidenciais do último dia 3 de novembro. Porém, as medidas não foram permanentes e os grupos conseguiram retomar suas atividades algumas semanas após o pleito que elegeu Joe Biden. 

Após o retorno desses grupos, alguns, inclusive, citados no relatório de agosto, membros e administradores questionaram a vitória do democrata e organizaram atos para colocar em xeque o resultado das urnas, o que culminou na violenta invasão ao Capitólio, que deixou cinco 5 mortos, dezenas de feridos e acabou com 135 pessoas detidas. 

Como resposta, o fundador e CEO da rede social, Mark Zuckerberg, anunciou no último dia 28 de janeiro que irá deixar de recomendar grupos políticos para seus usuários. “Uma das coisas que mais temos ouvido de nossa comunidade recentemente é que as pessoas não querem política e brigas dominando sua experiência com nossos serviços”, afirmou na ocasião. 

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