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Nesta quinta-feira (4), Dia Mundial do Câncer, um projeto se destaca pelo uso de uma ferramenta inusitada que auxilia no diagnóstico precoce do câncer de mama. O Projeto KDOG, uma iniciativa do centro de pesquisa e tratamento de câncer francês Instituto Curie, utiliza o olfato de cães treinados para detectar a doença em estágio inicial.

Denominada biodetecção, a técnica utiliza o olfato apurado dos caninos para encontrar, por exemplo, substâncias ilícitas ou agentes patogênicos. O método é simples e não invasivo para rastrear a doença.

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auto-exame de mama
Cães são treinados para detectar estágio inicial de câncer de mama pelo olfato. Imagem: BigmanKn/Shutterstock

Os cães recebem treinamento para detectar diferentes tipos de câncer de mama em ambiente controlado. Nos laboratórios, os especialistas usam cones para oferecer amostras de odores humanos para os animais.

A boa notícia é que a novidade já chegou ao Brasil graças a uma parceria da instituição francesa com a Sociedade Franco-Brasileira de Oncologia (SFBO). O responsável pelo projeto KDOG no país, Leandro Lopes, declarou à Agência Brasil que a iniciativa já tem um cão formado e outros dois em treinamento. “Os cães vão ajudar a salvar vidas de pessoas”, destacou.

A intenção é disponibilizar o método de diagnóstico no Sistema Único de Saúde (SUS). “A gente conseguiria ajudar o SUS a ter um controle maior e maior velocidade no diagnóstico”, disse o responsável pelo projeto.

Outros cães devem concluir os treinamentos no primeiro semestre de 2021, quando é previsto o início do suporte do projeto ao SUS. Lopes também aponta que os cachorros conseguem sentir o cheiro da doença antes de um tumor aparecer.

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“É um processo de triagem. O cão sentiu o cheiro, deu positivo, aquela mulher entra em uma fila de mais atenção”. A biodetecção também funciona para o controle da doença em pessoas que já tiveram câncer de mama.

Coleta de amostras

O protocolo para a obtenção de amostras é simples. A recomendação é utilizar um sabonete neutro para lavar as mãos e colocar compressas entregues em um kit sobre as duas mamas.

As compressas são enviadas para a sede do projeto, onde são submetidas ao olfato dos animais no laboratório. De acordo com Lopes, os cães ficam parados na frente das amostras em casos positivos da doença.

Cancer Cells
Ilustração 3D de células cancerosas. Imagem: crystal light/Shutterstock

Lopes explica que o câncer é uma “modificação biomolecular que vem do corpo humano”. Por isso, a doença exala um odor imperceptível para o homem, mas não para os cães. O trabalho, com taxa de efetividade de 91,8%, não elimina outros protocolos tradicionais, como mamografia e outros exames, destaca o especialista.

“O KDOG vem para tentar colocar as pessoas em uma triagem, para chegar mais rápido ao mamógrafo”. O método pretende ajudar, principalmente, populações que vivem distantes dos grandes centros e pessoas carentes. “Nós sabemos que quanto mais rápido o câncer for diagnosticado, mais chance tem de cura”.

Treinamento dos cães

O projeto KDOG inicia o treinamento dos cães desde filhotes. Os pastores alemães, belgas e holandeses têm a preferência para esse trabalho graças ao olfato mais desenvolvido.

german shepherd puppy
Cães do projeto aprendem desde cedo a identificar o odor da doença. Imagem: otsphoto/Shutterstock

O especialista afirma que os cães não se desgastam nem ficam presos, trabalhando em regime de recompensa, ganhando petiscos e brinquedos. “Não são cães robotizados, não são cães de laboratório. São cães felizes que, na hora de desconcentração, estão brincando com bolinhas, se esfregando na grama. São nossos amigos”.

Fonte: Agência Brasil