Como se prevenir da Covid-19? Álcool em gel e a limpeza de superfícies tem estado na lista de prioridades de higiene desde o início da pandemia, mas um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) reforça que medidas de higiene como essas podem ser apenas um “teatro sanitário”, já que o coronavírus foi encontrado no ar em aerossóis.

A questão da transmissão aérea da Covid-19 tem sido uma crítica da comunidade científica à Organização Mundial da Saúde (OMS), que até hoje reluta em declarar que o vírus pode ser transmitido em aerossóis, que são gotículas minúsculas, produzidas por atos como falar e até mesmo respirar, que são tão leves que podem permanecer longos períodos flutuando no ar e se deslocar a distâncias maiores do que os dois metros de segurança.

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O estudo mineiro foi voltado a detectar esse tipo de aerossol contendo o vírus para confirmar o risco desse tipo de transmissão. Os pesquisadores se dedicaram, principalmente, a demonstrar que a transmissão aérea por aerossóis é mais arriscada em ambientes fechados e mal ventilados do que em espaços abertos.

Para isso, foram comparadas amostras coletadas em hospitais onde pacientes com Covid-19 são tratados, onde era esperado que o vírus pudesse ser encontrado no ar, com outras coletadas ao ar livre, em espaços de ampla circulação, como pontos de ônibus, estacionamentos e calçadas.

O que os cientistas conseguiram demonstrar é que o vírus foi encontrado nas amostras coletadas em hospitais, mas não em espaços abertos, onde aerossóis se dissipam com maior facilidade. Os cientistas chegaram a observar que havia ventilação natural nos hospitais acompanhados, mas não havia circulação de ar suficiente para impedir o acúmulo do vírus.

Em contato com o G1, os pesquisadores ressaltam que os resultados reforçam o entendimento de que o vírus é aéreo e que mais enfoque na prevenção pelo uso de máscaras e cuidado com espaços fechados deve ser dado nas campanhas de informação sobre a Covid-19. Atualmente, há muita energia gasta para comunicar a limpeza de superfícies, mas pouca que deixam claro os riscos que locais fechados, com ventilação precária, representam.

O ponto defendido pelo estudo é o mesmo de um editorial publicado na famosa revista científica Nature, que pede a agências de saúde pelo mundo para que ajustem suas campanhas informativas para deixar mais claro esse risco.