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Apesar de já perceber um aumento na atuação de mulheres neste segmento, especialmente na América Latina, ainda é preciso trabalhar o incentivo à inserção do público feminino no setor de tecnologia

Por Carlos Baleeiro*

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A América Latina é a região com o maior percentual de mulheres trabalhando no setor de segurança cibernética. É isso o que aponta este artigo, publicado no We Live Security, o blog de tecnologia da ESET. Mas ainda que tenhamos dados de que a presença feminina na tecnologia melhorou ao longo dos anos, ainda há um caminho a ser percorrido pela igualdade de gênero no ambiente de trabalho, especialmente quando se trata da área de tecnologia. E por quê?

Em primeiro lugar, temos de fazer uma viagem no tempo. Quantos de nós, homens, fomos ensinados a brincar de boneca na infância? Quantas meninas foram encorajadas a brincar com videogame, jogos eletrônicos ou até computadores? Parece algo ínfimo, mas a verdade é que as diferenças que vivenciamos no ambiente corporativo começaram em outras épocas, fazendo com que nossas experiências refletissem no nosso presente e futuro.

Já ouvi de muitos amigos sobre a dificuldade em fazer simples tarefas domésticas ou a falta de habilidade para trocar a fralda dos filhos, por exemplo. Não raro ouço minha esposa comentando sobre o excesso de tempo que passo com meu filho em frente a um jogo eletrônico durante nosso tempo livre. Para elas, essa falta de estímulo em ter contato com esse tipo de dispositivo tecnológico desde a infância fez com que o gosto por videogames (e tecnologia em geral) não fosse despertado da mesma maneira que ocorre para os homens. Assim, o primeiro ponto a ser considerado sobre a ainda pequena atuação de mulheres no setor tecnológico é esse: o gostar.

Mas é claro que a questão da disparidade entre os gêneros não tem a ver apenas com o gosto por tecnologia. A lacuna que percebemos no setor é muito mais profunda. Ainda que o relatório mais recente da organização de certificação de segurança (ISC)² tenha descoberto que, pela primeira vez em anos, a escassez de profissionais na área de cibersegurança diminuiu – e, vejam, em um ano pandêmico -, são milhões de vagas disponíveis em diferentes empresas do setor. Muitas dessas posições poderiam ser ocupadas por mulheres, não fosse a falta de incentivo à educação e a enorme diferença salarial entre homens e mulheres.

Neste mês de março, em que se comemora o Dia Internacional da Mulher, se torna imprescindível (re)pensar sobre o atual cenário que faz com que a corrida pelo sucesso na tecnologia seja tão desigual quando se leva em conta o gênero dos candidatos a ocuparem diferentes cargos nas empresas, mas principalmente aqueles relacionados à gestão ou gerência de equipes.

Na ESET, existe uma iniciativa com o objetivo de melhorar essa situação. A Bolsa ESET Mulheres em Cibersegurança nos Estados Unidos já tem cinco anos de atuação e concede bolsas no valor de US$ 5.000 (o equivalente a R$ 29 mil) a mulheres que querem continuar suas carreiras no campo da cibersegurança. Apenas no ano passado, foram US$ 20.000 concedidos a quatro estudantes para cursos relacionados à segurança da informação. Já na ESET Brasil temos um total de 61% de mulheres na companhia, inclusive ocupando cargos de gerência.

Além do incentivo à educação qualificada e ao acesso a esse tipo de oportunidade, é preciso, também, desfazer estereótipos enraizados sobre os profissionais de tecnologia, valorizar o trabalho e as conquistas feitas pelas mulheres na área e, provavelmente o ponto mais importante: é fundamental oferecer salários dignos, justos e que levem em consideração o cargo ao qual o profissional está se candidatando pelas suas qualificações e não pelo seu gênero.

São medidas simples, mas que têm a capacidade de transformar o atual cenário profissional da segurança da informação e da tecnologia como um todo, dando voz e espaço a mulheres competentes e que têm força de vontade de mudar o futuro desse setor. Embora sejam mudanças triviais, é apenas com esse trabalho minucioso que será possível comemorar, de verdade, o Dia da Mulher.

*Carlos Baleeiro é Country Manager da ESET no Brasil