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Butanvac: Instituto Butantan quer aprovação da Anvisa para testes em humanos

Redação 26 de março de 2021

Butanvac. Esse é o nome da vacina 100% brasileira, desenvolvida pelo Instituto Butantan, que deve iniciar os testes clínicos em humanos em abril. O anúncio foi feito na manhã desta sexta-feira por Dimas Covas, diretor da entidade.

O imunizante vai ser totalmente produzido no Brasil, e usa a mesma tecnologia que já é aplicada na vacina da gripe. Os testes clínicos de fase 1 e 2 em humanos podem começar em abril, e devem ser concluídos em até dois meses. Se o cronograma não atrasar, a vacina entra na fase de produção no final de maio.

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João Doria, governador do Estado de São Paulo, diz que a prioridade é usar a Butanvac para imunizar a população brasileira, e depois pode ser exportada.

A Butanvac, foi desenvolvida em parceria com o Instituto de Vacinas e Biologia Média do Vietnã, e a Organização Farmacêutica Governamental da Tailândia. Covas diz que o imunizante é destinado a países de baixa e média renda. A capacidade de produção anual vai ser de 100 milhões de doses. Até o fim deste ano, vai ser possível produzir 40 milhões.

O Butantan ainda não estimou o custo por dose do imunizante, mas o diretor do instituto afirmou que as vacinas que usam essa tecnologia são muito baratas. A Butanvac vai ser feita com as tecnologias de vírus inativado e de vetor viral. O modo de produção é muito parecido com o da vacina da gripe, e usa ovos no processo.

O vírus da doença de Newcastle, da família do sarampo, vai ser modificado geneticamente para “carregar” um pedaço do coronavírus dentro dele. Depois, ele é inserido em ovos de galinha.

No ovo, as células que estão ali vão replicar o vírus, e estimular a produção da proteína S. Depois, o vírus vai ser retirado, inativado e fragmentado. A proteína S é então purificada, e o resultado do processo é o chamado ingrediente farmacêutico ativo, ou IFA. O produto final, que é a vacina, é uma espécie de concentrado da proteína.

Segundo o Butantan, não há recursos do ministério da Saúde no projeto e o governo federal não foi avisado sobre o desenvolvimento da Butanvac.

O Brasil tem pelo menos 11 projetos de candidatas a vacina contra a Covid-19. Todos estão sendo desenvolvidos em universidades e instituições de pesquisa públicas do país.