Uma terapia feita com um coquetel de anticorpos sintéticos pode reduzir as mortes em pacientes que desenvolveram de forma grave a Covid-19. O fármaco que foi elaborado pela empresa de biotecnologia Regeneron, dos Estados Unidos, em parceria com a Roche, era liberado para uso apenas no início da doença e foi experimentada, inclusive, pelo ex-presidente Donald Trump, quando contraiu a infecção.

De acordo com o Medical Xpress, um estudo mais aprofundado chamado Recovery, desenvolvido pela Universidade de Oxford, analisou o medicamento e descobriu que ele também pode funcionar em pacientes que, por não ter uma resposta forte de seus próprios anticorpos, desenvolveram a forma aguda do vírus.

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“Reduz o risco de morte quando administrado a pacientes hospitalizados com Covid-19 grave que não desenvolveram uma resposta natural de anticorpos próprios”, disse um dos pesquisadores em um comunicado à imprensa.

Coquetel de anticorpos sintéticos pode reduzir mortes de pacientes com Covid-19, diz estudo. Imagem: Shutterstock/Diy

“É a primeira vez que qualquer tratamento antiviral demonstrou salvar vidas em pacientes hospitalizados com Covid-19”, acrescentou Martin Landray, professor de medicina da Universidade de Oxford e um dos pesquisadores-chefe do estudo.

A droga usa dois anticorpos sintéticos criados em laboratório para produzir o efeito natural que o corpo deveria ter para combater a doença. Eles se ligam à proteína do vírus e a impede de infectar outras células.

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Testes clínicos

Foram analisados 9.800 pacientes com Covid-19, um grupo dentre eles foi designado para receber o tratamento REGN-COV2 – com anticorpos sintéticos. Dentre o grupo que recebeu a terapia, a probabilidade de morte foi reduzida em um quinto dentro de 28 dias de internação. 30% dos pacientes que não receberam o tratamento morreram.

Embora a notícia seja boa e traga esperança, alguns pesquisadores questionam o baixo número de vidas que foram salvas a um alto preço, já que a produção da droga custa caro, o que também dificultará o acesso de países mais pobres.

“A magnitude absoluta do benefício na mortalidade não é grande e significa que um grande (possivelmente 20) número de pessoas deve ser tratado com o medicamento extremamente caro para que uma única morte seja evitada”, disse Stephen Evans, da London School of Hygiene & Tropical Medicine, ao Science Media. Ressaltando que, assim como foi com a vacina, apelos globais podem surgir para o acesso à droga.

No Brasil

Outras empresas americanas também estão desenvolvendo tratamentos similares com uso de anticorpos sintéticos. Este é o caso da farmacêutica norte-americana Eli Lilly, que combina a produção em laboratório com os medicamentos Banlanivimabe e Etesevimabe.

Em março, a sede brasileira da companhia enviou um pedido à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para o uso emergencial do seu produto em pacientes brasileiros com Covid-19. De acordo com a Agência Brasil, em maio deste ano a reguladora autorizou o uso do medicamento no Brasil.

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