Um novo estudo publicado na Science Advances descobriu que uma determinada proteína do corpo é responsável por impedir que células reguladoras T controlem a inflamação causadora da esclerose múltipla, uma doença autoimune que ataca o sistema nervoso.

Chamada de Piezo1, a proteína faz parte do canal iônico e é importante na imunidade e na função das células T reguladoras (Tregs) – as quais eram impedidas de trabalhar e exercer seu papel de proteção.

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“Descobrimos que Piezo1 restringe seletivamente as células Treg, limitando seu potencial para mitigar a neuro inflamação autoimune”, disse Michael D. Cahalan, professor e chefe do Departamento de Fisiologia e Biofísica da Escola de Medicina da UCI. “Deletar geneticamente Piezo1 em camundongos transgênicos, resultou em um pool expandido de células Treg, que eram mais capazes de reduzir efetivamente a neuro inflamação e com ela a gravidade da doença.”

De acordo com o Medical Xpress, as células T dependem de proteínas, como a Piezo1, para detectar e responder a várias doenças e condições, incluindo infecções bacterianas, cicatrizações de feridas e até câncer. Com a atividade descontrolada das células T, distúrbios autoimunes são ativados, os quais o sistema imunológico passa a atacar, mesmo se tratando das próprias células normais do corpo. As Tregs possuem o papel de curar essas respostas imunológicas e prevenir a autoimunidade.

Estudo: deletar proteína específica do corpo pode ser tratamento para esclerose múltipla; entenda. Imagem: Kateryna Kon/iStock

Diversas pesquisas já identificaram que a Piezo1 tem um importante papel na regulação de funções fisiológicas vitais, incluindo volume de glóbulos vermelhos, pressão sanguínea, desenvolvimento vascular, formação óssea e diferenciação de células-tronco neurais. No entanto, seu papel na modulação da resposta imune não havia sido avaliado e saber que a proteína não é essencial para uma série de funções das células T reguladoras deixou os pesquisadores surpresos.

“Dada a capacidade demonstrada de Piezo1 de conter as células Treg, acreditamos que a inibição de Piezo1 poderia levar a novos tratamentos para doenças neuro inflamatórias, como a EM [esclerose múltipla]”, explicou Amit Jairaman e Shivashankar Othy, autores principais do estudo e cientistas do projeto do Departamento de Fisiologia e Biofísica.

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“Descobrimos que o papel de Piezo1 parece ser bastante específico para Tregs. Portanto, alvejar Piezo1 pode ser uma estratégia nova e ideal para curar a esclerose múltipla enquanto preserva a capacidade do sistema imunológico de combater novas infecções”, acrescentou Othy, cuja pesquisa nos últimos 12 anos tem se concentrado em encontrar maneiras de aproveitar o potencial terapêutico das células Treg.

Os cientistas deixam claro a necessidade de uma pesquisa mais aprofundada sobre a proteína Piezo1, tanto para entender melhor seu potencial terapêutico, como compreender seu processo de resposta imunológica através das células.

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