Nesta semana, durante as finais do Skate Park masculino e feminino nas Olimpíadas de Tóquio, os melhores atletas do mundo desabaram ao chão. Repetidamente. Mas cair no skate ou em outros esportes de impacto não, necessariamente, termina em lágrimas e lesões. Atletas de alto nível afirmam que a queda pode até ser positiva, pois leva ao aprendizado. A ciência, por sua vez, sugere que é possível aprender a cair com mais segurança.

Na madrugada da última segunda-feira (26), vimos Rayssa Leal (Brasil), Margielyn Didal (Filipinas) e outras skatistas mirins caírem repetidas vezes durante suas manobras. Elas, porém, não tiraram o sorriso do rosto, estavam completamente gratas pela oportunidade de disputar uma final olímpica de skate park com tão pouca idade.

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A gratidão, contudo, não foi o único motivo para explicar a serenidade das atletas do skate. A experiência e a ciência revelam que existem técnicas para cair em segurança e evitar ferimentos graves.

“No skateboarding a queda é a chave para tudo. Se você não está caindo, não está aprendendo. Você tem que atingir o solo para progredir”, afirma Ryan Sheckler, skatista campeão mundial e oito vezes medalhista dos X Games, em entrevista ao The New York Times.

O jornal americano destaca que ir ao solo é algo trivial para os atletas, especialmente em esportes que vão contra a gravidade, como o skate. Esses esportistas, porém, precisam aprender desde cedo a controlar os impactos ao cair. Os primeiros ensinamentos ao iniciar uma modalidade esportiva consiste em treinar as técnicas para desenvolver a maneira e o momento certos de reduzir o impacto com o chão.

“Um movimento giratório ajuda a redistribuir a energia que deve ser absorvida pelo corpo em uma área de contato maior”, explica a Dra. Vivian Weerdesteyn, professora de controle motor e reabilitação do Radboud University Medical Center e da Clínica St. Maartens, na Holanda.

Atletas do skate como Rayssa Leal, medalhista olímpica brasileira de 13 anos, aprendem desde cedo as técnicas para reduzir o impacto com o chão e evitar ferimentos mais sérios. Créditos: Shutterstock

O skate, contudo, não é o único esporte em que é recomendado aprender a cair controladamente. As técnicas são replicáveis em outras diversas modalidades.

Weerdesteyn, que já praticou judô pela seleção nacional júnior holandesa, afirma que flexionar os joelhos e rolar no tatame geralmente são as primeiras habilidades que os atletas de artes marciais aprendem. Em 2012, já como professora e pesquisadora, ela e outros colegas realizaram um estudo sobre como essas técnicas de artes marciais podem reduzir a gravidade das quedas.

Os cientistas, então, descobriram que o método de “dobrar e rolar” reduziu as forças de impacto nos quadris em cerca de 30% dos voluntários do experimento.

Em outra pesquisa do grupo da professora Weerdesteyn, os atletas jovens aprenderam o método de dobrar e rolar após 30 minutos de instrução supervisionada. Segundo o estudo, uma vez treinadas, as pessoas normalmente aprendem a técnica de forma rápida durante uma queda controlada.

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Para praticar a estratégia de dobrar e rolar, encontre um espaço livre em uma sala ampla e empilhe algumas almofadas, um tapete ou cobertores. Em seguida, role por algumas quedas em câmera lenta. Mas cuidado. Converse com seu médico primeiro se você tiver um histórico de lesões ou desgaste ósseo. Vale também consultar um treinador esportivo para uma avaliação dessa e de outras técnicas de queda.

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