Um estudo conduzido em ratos e um pequeno grupo de pacientes com câncer mostrou que os chamados tumores “frios” que são quase desprovidos de células do sistema imunológico, não respondendo à imunoterapia, podem ficar “quentes” com extrema baixas doses de radiação e o uso racional das terapias existentes.

Liderado por George Coukos, Melita Irving e Fernanda Herrera, do Instituto Ludwig de Pesquisa do Câncer Lausanne Branch , o estudo descobriu que o tratamento curou 20% dos ratos e induziu regressões em 37% dos pacientes com tumores imunologicamente frios. 

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Ademais, a equipe detalhou os mecanismos subjacentes de controle do tumor induzido pela terapia combinada, identificando novos fenômenos moleculares e celulares essenciais para sua eficácia.

Muitos tipos de tumores são praticamente desprovidos de linfócitos T que se infiltram no tumor (TILs), que são asa células imunes essenciais para a resposta anticâncer. Com isso, os pesquisadores tentaram usar radioterapia em altas doses para destruir as células cancerosas e atrair essas e outras células imunológicas para os tumores frios. 

Mas essa não é uma opção para doenças malignas que se espalham para o abdômen, como câncer de ovário e gastrointestinal com disseminação peritoneal, onde a radiação intensa e repetida causaria lesões graves em órgãos vitais.

“Começamos interrogando em camundongos o que acontece com o microambiente de tumores ovarianos avançados se você aplicar baixas doses de radiação e mostramos que havia um aumento maciço na expressão de alvos drogáveis”, disse Irving, líder do grupo Human Integrated Tumor Imunology Discovery Engine (Hi-TIDe) na Filial Ludwig Lausanne.

Coukos e Herrera começaram a projetar um estudo clínico da abordagem, modificando seus protocolos com base no que as pesquisas em camundongos revelaram. O estudo incluiu oito pacientes com câncer de próstata metastático, ovário e gastrointestinal que receberam os medicamentos mais uma dose muito baixa de radiação para tumores abdominais a cada duas semanas. 

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Um paciente desenvolveu uma doença cardíaca associada à imunoterapia e foi excluído do estudo. Outros efeitos colaterais graves foram controlados, com os pacientes retirados do estudo conforme necessário. Apenas os tumores em pessoas que foram alvo de radiação de baixa dose regrediram.

O tratamento também induziu a expressão de um receptor nessas células que era necessário para o efeito terapêutico. “Nós realmente mostramos aqui que a irradiação de baixa dose pode tornar os tumores que anteriormente não respondiam à imunoterapia e que tanto a imunidade adaptativa quanto a inata precisam trabalhar juntas para o controle do tumor”, disse Coukos. 

Outra parte do estudo continua, porém, os pesquisadores já estão explorando por que alguns dos tumores escaparam da terapia. Ademais, eles também estão planejando um novo ensaio no qual um anticorpo estimulador será usado na combinação de radioimunoterapia.

Fonte: Medical Xpress

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