Uma antiga tumba, construída na era da Dinastia Wei (386-534), foi descoberta na província de Shanxi, na região norte da China. De acordo com arqueólogos locais, inscrições na descoberta indicam que seu dono era uma pessoa chamada “Lyu Xu” e a tumba em si foi levantada no ano 456.

Infelizmente, muito dela foi dado como perdido, haja vista que o sítio da descoberta enfrenta problemas com infiltrações de água. Isso, e a ação de ladrões de tumbas, fez com que alguns de seus artefatos fossem levados embora. Ainda assim, o diretor do Instituto Datong de Arqueologia, Zhang Zhizhong, disse que a descoberta ofereceu novos materiais de estudo sobre a cultura antiga da China e sua interação com o Ocidente.

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Segundo as informações divulgadas pela agência estatal chinesa de comunicação, Xinhua, o lado externo do caixão tem 1,8 metro (m) de altura por 3,3 m de comprimento, mas adornos em alto relevo na tampa aumentam isso para 1,9 m de cima para baixo. Na face externa aos pés do caixão, está gravada a imagem de dois homens vestindo roupas exóticas e portando tridentes. Em outras imagens, alguns demônios parecem talhados na pedra.

A dinastia Wei, por vezes referida como “Wei do Norte” ou “Tuoba Wei“, governou a China durante o período marcado pela regência dividida do país – um governante ao norte e outro governante ao sul. O período sucedeu o chamado “Tempo das Seis Dinastias” e foi marcado como uma época bastante turbulenta do país em todos os aspectos.

Neste ponto, a dinastia Wei ficou conhecida por unificar o norte da China sob um único comando. Nesse mesmo período, o budismo começou a ser introduzido à vida dos cidadãos, perdurando até hoje. Entretanto, apesar de todas as suas conquistas, historiadores das dinastias ao sul sempre se referiram aos Wei do norte como “bárbaros de armadura”, não merecedores da verdadeira cultura chinesa.

Durante seu governo, os Wei travaram guerras com pelo menos três dinastias no sul – Liu Song, Qi do Sul e Liang – com resultados mistos. 

Internamente, a dinastia Wei tinha costumes um pouco diferentes do tradicional: imperatrizes não eram escolhidas por grau de nobreza ou relação de sangue, mas sim por meio de uma cerimônia onde todas as candidatas deveriam forjar estátuas de ouro – a mais bela criação era entendida como um favorecimento dos deuses e, consequentemente, sua autora seria alçada à posição de regência.

No que tange à realeza e aos imperadores coroados, não lhes era permitido terem mães: as progenitoras dos regentes eram forçadas a cometerem suicídio, o que fez com que muitas cuidadoras e concubinas ganhassem títulos honorários a fim de que regentes masculinos tivessem companhias femininas.

Militarmente falando, os Wei tiveram problemas sérios de corrupção, haja vista que os soldados do estado não recebiam salários. Entretanto, uma norma lhes permitia “requisitar” bens dos cidadãos sem impedimento. O que deveria ser uma regra pelo bem da manutenção do exército, contudo, virou uma grave avalanche de roubos e “requisições” sem motivo.

Entre 400 e 450, contudo, esses costumes foram abandonados em virtude de tradições mais planejadas, cortesia da expansão da dinastia Wei do Norte e o tamanho do império sendo grande demais para ser administrado sem conselheiros com diferentes visões de mundo.

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