O nome é BolaWrap e vem de boleadeira (chamada de “bolas” em inglês). O instrumentos que gaúchos (no sentido original de vaqueiros do sul, não nativos do Rio Grande do Sul) tradicionalmente usam para dominar o gado, atirando-as contra suas pernas para imobilizar o animal. É o que o que arma faz com pessoas: dispara um laço de kevlar com pesos metálicos, que amarra as pernas ou tronco das pessoas, tornando-as incapazes de se mover.

O invento, que a empresa afirma ser uma revolucionária arma menos que letal, mais humana que o taser ou spray de pimenta, já foi adotado por mais de 500 forças policiais nos EUA.

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Mas a empresa quer mais. Registros de reuniões de investidores já apontavam, numa apresentação de 2019, que a empresa pretende vender sua arma para escolas e hospitais psiquiátricos. A ideia é fazer o mesmo que a polícia: amarrar estudantes ou pacientes que resistam.

E uma ata de uma dessas reuniões mostra qual é a estratégia para conseguir isso: um lobby com o Bureau of Alcohol, Tobacco, Firearms, and Explosives (Escritório de Álcool, Tabaco, Armas e Explosivos, ou ATF) para desclassificar o novo modelo, o Bola 150, da categoria de armas de fogo, como sua antecessora. De um instrumento para a polícia, passariam a ser vendidas ao público em geral, .

Do taser à arma de laço

A pessoa que iniciou o lobby faz toda diferença: o CEO da empresa, que entrou em março de 2021 e saiu há algumas semanas atrás é Tom Smith. E Smith vem a ser o fundador da Taser International, em 1993, que acabou por conseguir a aprovação do uso de taseres por civis ao mudar o método de propulsão de um cartucho de pólvora para ar comprimido.

O novo modelo da BolaWrap usa um sistema de ar comprimido produzido quimicamente, como nos airbags. Com o lobby de Smith, mesmo saindo do cargo, a empresa está confiante que conseguirá a desregulamentação, e de forma internacional.

Apesar de a empresa considerar a si mesma como amiga dos direitos humanos, o uso de seu equipamento não é sem controvérsia. Em junho passado, uma paciente metal transexual foi imobilizada por um policial imediatamente, o que foi condenado por psiquiatras como um agravante traumático para sua situação.

O policial deveria, por protocolo, ter tentado conversar antes. O medo, assim, é que a nova arma se torne uma forma de “ganhar tempo”. Literalmente atirando antes e perguntando depois.

Como com taseres e armas de borracha, não é uma arma não letal, mas menos letal: em diversas situações, como ao derrubar alguém correndo, que pode bater com a cabeça, ou atingindo com seus pesos regiões vitais, seu uso pode ser fatal.

Via Futurism.com e Vice

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