A explosão do vulcão Hunga Tonga-Hunga-Haʻapai, em 15 de janeiro, teve sua onda de choque captada até mesmo por smartphones a milhares de quilômetros (km) de distância de Tonga, reino polinésio no sul do Oceano Pacífico. O deslocamento de ar foi o mais poderoso já produzido por uma erupção desde a explosão do Krakatoa, na Indonésia, em 1883.

A afirmação foi feita pela Universidade do Havaí-Manōa, após ter usado diversos sensores hipersensíveis de pressão, mas também uma série de sensores comuns a smartphones — como microfones integrados e barômetros (presentes nos modelos intermediários, como o TCL 30 V 5G; até os mais high-end, como o Xiaomi 12 Pro) —, para captar o que é conhecido como “infra som”, ou seja, frequências inaudíveis ao ouvido humano, produzidas por eventos naturais extremos como impactos de asteroides ou, veja só, erupções de um vulcão.

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A explosão do vulcão em Tonga foi capturada por satélites no espaço
A explosão do vulcão em Tonga foi capturada por satélites no espaço (Imagem: NOAA/Reprodução)

Até a explosão em Tonga, a maior produção de infra som da história veio em 2013, na queda do meteoro de Chelyabinsk, na Rússia. Na ocasião, a explosão da rocha espacial liberou energia equivalente a 500 kilotons de trinitrotolueno (TNT). Especialistas estimam que, em Tonga, esse número ficou entre 5.000 kilotons e 30 mil kilotons (mil kilotons = 1 megaton).

A potência foi tanta que a ilha de Hunga Tonga-Hunga-Haʻapai quase foi varrida do mapa.

“Tanto os smartphones como as redes tradicionais capturaram medidas únicas e extraordinárias de infra som no Havaí, diretamente da erupção de Tonga”, disse Milton Garces, pesquisar planetológico da universidade. “Não só os celulares identificaram a chegada direta [da onda de som], mas também pegaram o trânsito da onda de ar que circulou o planeta”.

E quando falamos na maioria dos modelos de smartphones, estamos realmente contemplando “a maioria”: aparelhos de cinco anos atrás (iPhone X) e até mais recentes, como o Pixel 5 (setembro de 2020) capturaram as ondas.

Vários modelos de smartphones - antigos e novos - conseguiram registrar as alterações de som emitidas na explosão vulcânica em Tonga, em janeiro deste ano
Vários modelos de smartphones — antigos e novos — conseguiram registrar a onda de choque emitida na explosão vulcânica em Tonga, em janeiro deste ano (Imagem: Universidade do Havai-Manōa/Reprodução)

Isso não é nenhum feito a ser ignorado. Para fins de comparação, a bomba atômica jogada em Hiroshima, no Japão, durante a Segunda Guerra Mundial, tinha 15 kilotons de TNT. O dispositivo nuclear mais poderoso já detonado — o soviético “Big Ivan” — era 3,8 mil vezes mais poderoso, a 50 megatons.

Nos eventos naturais, o Evento de Tunguska (1908) deflagrou uma explosão de 30 megatons, causada pela explosão de um asteroide na atmosfera alta da Terra. O já mencionado vulcão Krakatoa, em 1883, chegou a uma dispersão energética de 200 megatons.

Em outras palavras: vimos eventos maiores que a explosão em Tonga? Sim, mas isso não significa que ela não tenha sido notável. Enquanto o Krakatoa viu sua explosão liberar aquele volume imenso de energia em um espaço de 24 horas, o episódio em tonga durou apenas 10 minutos. Em outras palavras: muita energia liberada em pouquíssimo tempo.

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