Conforme noticiado pelo Olhar Digital, em meados de março, um morador da zona rural de São Mateus do Sul, município paranaense localizado a 150 km da capital Curitiba, encontrou um estranho objeto de metal retorcido em sua propriedade. Após análises, a Agência Espacial Brasileira (AEB) revelou, esta semana, que a peça literalmente “caiu do céu”: trata-se de lixo espacial.

Quando o mecânico e agricultor João Ricardo Pacheco Portes se deparou com aquilo em suas terras, a princípio pensou que poderia ser uma barraca. Mas, ao se aproximar mais, percebeu que o objeto era metálico e muito grande. Então, ele logo se lembrou que, uma semana antes, havia escutado um forte estrondo provocado pela reentrada na atmosfera da Terra de um foguete Falcon 9, da SpaceX, e que foi ouvido em toda a região Sul do Brasil.

Objeto encontrado parecia grande e de um metal muito fino, que normalmente seria desintegrado ao reentrar na atmosfera. Imagem: Portal RDX/Reprodução

Por isso, a AEB foi chamada para examinar a peça. A visita contou com um técnico e um profissional de comunicação – ambos de Brasília -, que protegeram o local com um cordão de isolamento a fim de proceder com as investigações para determinar se a origem do objeto seria, de fato, um foguete da SpaceX

Na ocasião, a agência não removeu a peça do local e orientou o proprietário do terreno a não interagir com ele, a fim de evitar possíveis danos. 

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Ao analisar o caso, membros da Rede Brasileira de Observação de Meteoros (BRAMON), perceberam que São Mateus do Sul fica praticamente abaixo da trajetória da reentrada observada na semana anterior. Além disso, observaram que alguns detalhes do design indicavam a presença de um motor de propulsão Merlin, usado pela SpaceX para impulsionar os foguetes Falcon 9.

Profissionais da Agência Espacial Brasileira analisando o objeto que caiu em um terreno no interior do Paraná. Imagem: Portal RDX/Reprodução

No entanto, a informação não pôde ser completamente confirmada tendo em vista que, normalmente, a SpaceX usa materiais de fácil combustão em seus foguetes, justamente para que, nos momentos de reentrada, os estágios propulsores se destruam por completo e não caiam como lixo vindo do espaço.

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AEB não confirma se lixo espacial pertence à SpaceX

Com a emissão do laudo pericial pela AEB, que atesta a proveniência espacial da peça, alguns protocolos devem ser seguidos na sequência. Primeiro, a agência comunica às autoridades do país de origem do responsável pelo objeto (embora as evidências apontem para a SpaceX, a AEB não revelou a que empresa ele de fato pertence).

Segundo a agência, essa ação é determinada em um decreto de 1973, que  promulgou o Acordo sobre Salvamento de Astronautas e Restituição de Astronautas e de Objetos Lançados ao Espaço Cósmico.

Um dos artigos do acordo diz que, em caso de identificação de um artefato espacial que tenha retornado à Terra em território brasileiro, o mesmo deve ser restituído ao país responsável pelo lançamento, para que o objeto tenha a destinação correta de resgate e armazenamento. Até que isso ocorra, a peça permanece no local onde foi encontrada.

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