Cientistas criam exoesqueletos para dar “superforça” a funcionários de fábrica

Usando a inteligência artificial e algoritmos de cálculo, os dispositivos conseguem reduzir esforço em 40%, minimizando acidentes e dores
Rafael Arbulu, editado por Acsa Gomes 24/06/2022 15:01, atualizada em 27/06/2022 15:22

Pesquisadores do Instituto de Tecnologia da Itália (IIT) e da Autoridade Italiana de Compensação de Trabalhadores (INAIL) conseguiram criar algo que virtualmente toda revista em quadrinhos nos prometeu na infância e adolescência: superforça. Bom, não a força em si, mas exoesqueletos “de superforça” que empregam inteligência artificial (IA) e algoritmos de cálculo rápido para reduzir o esforço físico necessário ao compensar até 40% do trabalho físico de seus usuários.

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A invenção vem sendo testada em fábricas e promete não apenas facilitar a capacidade de trabalho, mas também reduzir volumes de acidentes e até mesmo sintomas de dores crônicas para seus funcionários.

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Até o momento, foram criados três protótipos: “na Itália, lesões ocupacionais que afetam o sistema musculoesqueletal representam as reclamações mais recentes do ambiente de trabalho, com 68% desse volume. Desse percentual, a maior parte – cerca de 41% – são de problemas da coluna”, disse Jesús Ortiz, o engenheiro responsável pelo projeto.

Os três protótipos trabalham em partes específicas do corpo: XoTrunk (para a coluna e suporte lombar); XoShoulder (para ombros) e XoElbow (para os cotovelos). Basicamente, essas três partes são as mais vulneráveis a problemas quando se trabalha em força e mobilidade.

Segundo Ortiz, O XoTrunk consegue aliviar cerca de 20 quilogramas (kg) da carga de trabalho incidente na região lombar, como movimentos de tirar um peso do chão e levantá-lo. O XoShoulder ajuda em um contexto voltado a trabalhos de maquinário estático, como mecânicos que levantam carros em plataformas e precisam trabalhar olhando para cima e manipulando peças com os braços levantados. Finalmente, o XoElbow ajuda na manutenção de carga – quando um trabalhador precisa não apenas tirar um peso do lugar, mas sustentar seu peso por um período extendido de tempo.

O interessante, no entanto, é a IA: um alívio de 20kg de carga não é um número estático – usando uma série de cálculos, os algoritmos conseguem prever quanto esforço será necessário para a execução de uma tarefa, ajustando sua ação de acordo com a demanda. Na prática: se uma caixa pesa 5 kg, então essa é a força a ser exercida pelo exoesqueleto – em termos resumidos, a “superforça” é variável.

Finalmente, os três exoesqueletos são leves e inteligentes, permitindo toda a amplitude de movimentos naturais do corpo sem impedimentos. E o trabalho de “superforça” deles não necessita ficar acionado 100% do tempo. Quando não há esforço iminente, os dispositivos não entram em ação.

De acordo com Ortiz, apenas o XoTrunk está em fase avançada de testes e deve chegar ao comércio local até o fim do ano. O XoShoulder e o XoElbow ainda precisarão de mais um tempo de testes.

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Rafael Arbulu

Jornalista formado pela Universidade Paulista, Rafael é especializado em tecnologia, cultura pop, além de cobrir a editoria de Ciências e Espaço no Olhar Digital. Em experiências passadas, começou como repórter e editor de games em diversas publicações do meio, e também já cobriu agenda de cidades, cotidiano e esportes.

Acsa Gomes
Acsa Gomes

Acsa Gomes é formada em Comunicação Social com ênfase em Jornalismo pela FAPCOM. Chegou ao Olhar Digital em 2020, como estagiária. Atualmente, faz parte do setor de Mídias Sociais.

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