Brasil recupera fóssil de 1º dinossauro com penas; relíquia estava na Alemanha

Tamires Ferreira
Tamires Ferreira, editado por Flavia Correia 30/07/2022 10:43, atualizada em 11/06/2023 12:46
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Representação artística do dinossauro Ubirajara jubatus. Crédito: Bob Nicholls / Paleocreations.com 2020

O Brasil conseguiu recuperar o fóssil do primeiro dinossauro com penas descoberto no hemisfério Sul. A espécie, chamada de Ubirajara jubatus, viveu no Cariri cearense séculos atrás e estava exposta, ilegalmente, em um museu da Alemanha há 17 anos.  

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De acordo com reportagem do UOL, a peça deixou o Brasil de forma ilegal há 27 anos. A volta ao seu país de origem só irá acontecer graças a uma campanha realizada por cientistas brasileiros que ergueram a hashtag #UbirajaraBelongstoBR para a reaquisição da relíquia paleontológica. 

“Temos uma postura clara: se houver objetos em nossas coleções de museus que foram adquiridos sob condições legal ou eticamente inaceitáveis, a devolução será considerada”, disse a ministra da Ciência, Theresia Bauer, ao UOL. 

O Conselho de Ministros de Baden-Württemberg, da Alemanha, aprovou o pedido no último dia 19 e reconheceu que a exportação e a aquisição foram irregulares. Segundo a paleontóloga e professora Aline Ghilardi, da UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte), e criadora da campanha no Twitter, casos de tráfico de fósseis são muito discutidos, mas esse foi o que mais chamou sua atenção. 

“Foi uma descoberta fascinante. Mas a data informada da retirada desse fóssil do Brasil, 1995, me chamou muito a atenção e também me entristeceu”, disse.  

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De acordo com a especialista, a data de exportação chamou atenção porque se ela estivesse correta faria com que o país deixasse de ter a primeira confirmação da existência de dinossauros não avianos com penas do mundo — a primeira publicação desse tipo ocorreu apenas em 1996, com um fóssil da China. 

“Ou seja, o nosso dinossauro poderia ter sido o primeiro do mundo a ser descrito com essa característica, e ele é de uma região reconhecidamente rica em fósseis. Isso me chateou para caramba”, explicou a paleontóloga, acrescentando que o caso se tornou público devido o “ativismo digital e ganhou força graças a colegas com público gigantesco que apoiaram. Assim, a campanha explodiu.” 

Concepção artística de como seria o Ubirajara jubatus, dinossauro com penas retirado ilegalmente do Brasil. Imagem: Luis Rey/Divulgação

Quando o fóssil chega ao Brasil? 

Conforme reportagem, ainda não se sabe quando a peça desembarca no Brasil, isso porque ainda não está definido em qual instituição ela será alocada. 

“Tínhamos acordado que esse fóssil deveria ir ao Geoparque, que é o local onde ele foi descoberto e onde há um museu de paleontologia que reúne todas as condições para cuidar bem dele”, disse Juan Cisneros, da UFPI (Universidade Federal do Piauí), se referindo ao Geoparque Araripe (CE). 

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A Alemanha é o principal receptor de fósseis que saem ilegalmente do Brasil. Ainda segundo Cisneros, o tráfico de fósseis na Chapada do Araripe foi intenso de 1990 ao início dos anos 2000. “Nós encontramos ao redor de 100, no total, apenas em museus da Alemanha e alguns outros países. Mas nós sabemos que o número é várias vezes maior.” 

Para ele, a movimentação traz não apenas o benefício de ter o fóssil em seu país de origem, mas facilita a repatriação de outras relíquias perdidas. “A Bélgica repatriou um pterossauro nosso no início do ano, e os EUA repatriaram 36 aranhas fósseis no final do ano passado”, finalizou em tom de comemoração. 

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Créditos foto destaque: reprodução/Twitter (Juan Cisneros)

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Tamires Ferreira
Tamires Ferreira

Tamires Ferreira é jornalista formada pela Fiam-Faam e tem como experiência a produção em TV, sites e redes sociais, além de reportagens especiais. Atualmente é redatora de Hard News no Olhar Digital.

Flavia Correia
Flavia Correia

Flávia Correia é jornalista do Olhar Digital, cobrindo Ciência e Espaço.

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