Os cientistas encontraram novos resultados sobre a formação de estrelas no centro da Via Láctea, localizado há 26.000 anos-luz da Terra. De acordo com os estudos, à medida que estrelas jovens se formam, elas se afastam do centro da galáxia.

Os dados de 3 milhões de estrelas jovens foram obtidos, pela primeira vez, através da câmera infravermelha HAWK-I do Very Large Telescope (VLT), no Chile. Os astrônomos estudaram detalhadamente uma área de 64.000 anos-luz quadrados ao redor do centro galáctico.

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Em um comunicado, o pesquisador do Instituto Max Planck de Astronomia e membro da equipe de pesquisa, Francisco Nogueras-Lara, declarou que esse novo estudo é um grande avanço no conhecimento sobre estrelas jovens e sobre a formação de galáxias. “As jovens estrelas que encontramos têm uma massa total de mais de 400.000 massas solares. Isso é quase dez vezes maior do que a massa combinada dos dois enormes aglomerados estelares que eram conhecidos anteriormente na região central”, disse Nogueras-Lara.

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Embora a equipe só fosse capaz de estudar algumas das estruturas mais massivas próximas do centro da Via Láctea, ela conseguiu analisar a distribuição estatística da luminosidade estelar e, a partir disso, os pesquisadores puderam traçar suas vidas, quantas estrelas foram formadas em que época, e, portanto, a evolução da formação de estrelas no centro galáctico.

A equipe também descobriu uma contradição. Apesar de serem formadas próximas ao centro das galáxias, essas jovens estrelas não ficam por lá, já que foram identificadas majoritariamente estrelas mais velhas – acima de 7 bilhões de anos. Isso indica que a formação estelar no centro da Via Láctea, apesar de ter começado em suas áreas mais internas, depois se irradiou para fora do centro. Esse mesmo processo foi observado em outras galáxias. Essas estrelas vão compor o chamado “disco nuclear”, localizado em torno do centro da galáxia.

Próximos passos para estudar a formação das estrelas

Os cientistas vão investigar a alta taxa de formação de estrelas nas galáxias starburst, que, provavelmente, foi comum nas galáxias quando o Universo tinha aproximadamente 4 bilhões de anos. Atualmente, apesar de baixa, a taxa de formação estelar da Via Láctea não impediu os astrofísicos de usá-la para investigar o nascimento de estrelas em outras galáxias, graças à região central da galáxia.

Os desafios enfrentados são muitos. A poeira espessa no disco da Via Láctea obscurece a visão do núcleo da galáxia. Para tentar contornar essa situação, os cientistas fazem observações em comprimentos de onda infravermelhos, milímetros ou de rádio em que a luz pode passar através da poeira. Além disso, por se tratar de uma região densamente povoada, fica difícil distinguir uma estrela da outra.

Agora, Nogueras-Lara e sua equipe farão novas observações a partir de outro instrumento VLT, o espectrógrafo de alta precisão chamado K-band Multi-Object Spectrograph (KMOS). Com ele será possível rastrear o movimento das estrelas, considerando como sua posição muda em relação às outras. Isso ajudará a entender melhor como as estrelas foram agrupadas no início de sua existência.

Via: Space.com

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