Por Frédéric Martineau, CTO da act digital

Com o avanço do processo de digitalização das empresas, a importância dada para o desenvolvimento e implementação de medidas de cibersegurança naturalmente ganhou mais espaço. No caso do Brasil, esse maior cuidado foi demonstrado na melhora do país no Índice Global de Segurança Cibernética, ranking elaborado pela União Internacional de Telecomunicações (UIT).

Ao passar do 71º lugar para o 18º na mais recente lista do órgão ligado às Nações Unidas, o país demonstra o compromisso com a cibersegurança em nível global por meio de diversas indústrias e setores.

Entre os principais elementos que contribuíram para essa melhora estão soluções elaboradas pelo setor estatal, como a digitalização de serviços públicos e legislações para proteção às informações dos cidadãos, como a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados). Já entre os pontos a serem desenvolvidos está a definição de uma estrutura para monitorar, alertar e reagir aos incidentes. Mas enquanto essa configuração em nível nacional é de responsabilidade dos órgãos públicos, as empresas brasileiras ou com presença no Brasil precisam redobrar a atenção com os futuros desafios nesta área.

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De acordo com a Cybersecurity Ventures, o total de danos originados por crimes cibernéticos deve alcançar 10,5 milhões de dólares até 2025 – uma taxa de crescimento que superaria os custos anuais causados por desastres naturais. Isso inclui impacto em dados (destruição, restauração e exclusão), roubos (dinheiro, propriedade intelectual, dados pessoais e financeiros), além de perda de produtividade, interrupção do negócio e danos à reputação.

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Segundo a mesma pesquisa, a ameaça mais comum serão os ataques via ransomware – uma empresa tornou-se vítima desse ataque a cada 11 segundos no ano de 2021. E, para 2031, a previsão é de um ataque contra empresas, governos, consumidores e aparelhos diversos a cada dois segundos.

Tudo isso reforça a necessidade de fiscalização contínua dos processos internos de cibersegurança. Esse trabalho passa pela revisão de cenários e identificação de possíveis fragilidades, análise de padrões de uso e acessos dos funcionários que possam ser exploradas em futuros ataques, e constante de aplicativos e dispositivos.

Estes processos servem para desenhar um caminho mais personalizado de segurança digital e podem ser complementados por soluções individualizadas, que não dependam apenas do que é oferecido de forma padronizada em suítes de segurança. A abordagem, que já é muito utilizada para desenvolvimento móveis, integração de bancos de dados e elaboração de soluções destinadas para experiência e interface do usuário, também pode ser replicada na segurança digital.

Todas as empresas estão atualmente sob ameaça de ataques em infraestrutura de TI, informações e serviços hospedados em data centers físicos ou em nuvem, e contra aparelhos diversos (computadores, smartphones, tablets e demais dispositivos). Porém, o que faz diferença é ser capaz de analisar e identificar as suas fragilidades e com isso se preparar de forma customizada para a prática do cibercrime dentro dos próximos anos.

* Fredéric Martineau é CTO da act digital

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