Seja aos 18 ou aos 40 anos, todo mundo já se perguntou se está mesmo feliz no trabalho, se está com a pessoa certa para passar o resto da vida, se terá ou não filhos, se deve ou não investir em um terreno, apartamento, casa. São muitos os questionamentos ao decorrer da nossa trajetória, tipo de reflexão que se acentua com a chegada do fim do ano, já que geralmente revisamos os planos e metas. 

“A inquietude sobre a vida é normal, já que somos seres em constantes transformações, influenciados também pelas mudanças aceleradas do mundo exterior. O problema é quando não se consegue lidar com os questionamentos, gerando uma crise existencial”, afirma Monica Machado, psicóloga pós-graduada em Psicanálise e Saúde Mental pelo Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital Albert Einstein. 

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O que desencadeia a crise existencial? 

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A crise existencial se inicia com algum tipo de insatisfação, um questionamento sobre um aspecto específico da vida, gerando uma angústia constante e diária. Segundo a psicóloga, quando a situação chega a um ponto intolerável, a pessoa tem confusão com a própria identidade, desencadeando uma preocupação crônica com seu propósito de vida. 

“As crises e adversidades da vida ocorrem de modo quase sempre imprevisível. A forma de lidar com elas dependerá, em boa parte, da resiliência, da capacidade de encarar mudanças e de tomar decisões”, explica a especialista. 

Imagem mostra uma mulher deprimida, deitada sobre a cama com um rosto triste
Imagem: Rawpixel.com/Shutterstock

Como lidar com o medo de sair do lugar? 

De modo geral, os questionamentos encontram respostas que tranquilizam, e a pessoa segue sua trajetória relativamente bem consigo mesma. Porém, em algumas situações, o indivíduo fica refém do seu próprio conflito. 

Um dos principais motivos é o medo da responsabilidade da mudança, de se comprometer a novas circunstâncias e abalar sua segurança física e emocional. 

“O pavor de tomar decisões que possam mudar todo o rumo de uma vida pode paralisar a pessoa, impedindo a realização dos seus objetivos. Porém, não existe escolha fácil, pois há sempre algo que se perde na tomada de uma decisão. Riscos são parte de mudanças, mas é preciso assumi-los para não limitar sua vida e sua identidade.” 

Entretanto, é possível, sim, modificar suas perspectivas e buscar seu propósito de vida. Confira abaixo quatro dicas da psicóloga: 

  1. Não se pressione 

O fato de um novo comportamento remeter a uma ação definitiva pode gerar uma barreira emocional. A pressão interna é uma delas. A motivação inicial pode se tornar uma armadilha ao provocar um esforço excessivo no começo do processo e uma desistência no meio do caminho. 

No entanto, “é possível fazer uma reprogramação mental menos penosa, podendo adotar novas mudanças sem sentir pressão por isso. Tente definir seus objetivos em curto, médio e longo prazo, a depender do grau de dificuldade de cada um. Seja realista ao compreender quanto tempo e disponibilidade serão precisos para efetivar suas mudanças”. 

  1. Faça um check list da sua vida 

“Identifique o que tem de errado e o que você quer mudar. Pense em quem você é, quais os seus valores, suas metas. Sinta se você está feliz com a vida que leva ou apenas acomodado. Na medida que percebemos nossas prioridades, começamos a enxergar as possibilidades de construir uma nova forma de viver.” 

  1. Sem medo de mudanças 

Muitas pessoas encaram as mudanças como algo ruim, pois se sentem fora da zona de conforto. Mas, muitas vezes, é preciso abandonar a vida que havíamos planejado, pois já não somos mais as mesmas pessoas. Somos seres em eterna mutação, seja internamente ou pela necessidade de seguir a evolução do mundo. 

“Portanto, se você havia feito vários planos, mas depois perdeu a identificação com eles, siga sua intuição e mude a rota. Trace metas que estejam alinhadas com seu ‘eu’ atual, com suas novas perspectivas de vida. Essa evolução te ajudará a fazer escolhas coerentes e a trilhar caminhos mais produtivos, evitando que você perca tempo com aquilo que já não te interessa mais”, pondera Machado. 

  1. Aposte na terapia 

Se a pessoa já tem algum bloqueio emocional, transtorno de ansiedade ou dificuldade para sair da zona de conforto e se adaptar ao novo, será preciso ajuda profissional para desenvolver o potencial de enfrentar os desafios que surgem a todo instante. 

“Psicoterapias proporcionam a possibilidade de desenvolvimento pessoal, a partir da investigação do modo de ser da pessoa. À medida que o indivíduo amplia e aprofunda o conhecimento sobre si mesmo, passa a dispor de novos instrumentos para lidar melhor com os obstáculos e as dúvidas inevitáveis ao longo da vida”, conclui. 

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