* Por Rodrigo Almeida

O mundo é digital, mas a habilidade socioemocional tornou-se um diferencial essencial.
Formada – em linhas gerais – por competências que adquirimos ou desenvolvemos para a saudável conexão e interação com pessoas ao nosso redor, a habilidade social tem sido uma demanda emergente para profissionais nas mais diversas áreas, inclusive a de tecnologia. Quando falamos do recorte ‘socioemocional’, unimos as habilidades sociais aos aspectos emocionais do individuo.

Na busca por pessoas proativas, assertivas, resilientes, agregadoras e inovadoras, o mercado entendeu que não se contratam somente ‘profissionais’, mas sujeitos ativos em suas individualidades, idiossincrasias e particularidades. Não basta ser um bom técnico, é preciso ser capaz de conviver em equipe, ter espírito colaborativo e saber respeitar a diversidade.

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Entre as soft skills mais desejadas, empatia, liderança, flexibilidade, senso de equipe, resiliência, inteligência emocional e proatividade se destacam como competências inegociáveis das principais organizações mundiais.

Sendo mais específico sobre a urgência desses skills, quando falamos sobre tecnologia, os dados da Layoffs.fyi são alarmantes. De acordo com o portal de monitoramento, nas duas primeiras semanas de 2023 foram demitidas mais de 24 mil profissionais, em cerca de 90 mil empresas de tecnologia ao redor do mundo.

Reflexo do aquecimento de contratações no período pandêmico, as empresas se viram obrigadas a enxugar o quadro de funcionários – principalmente nos setores não-técnicos – após o retorno à “normalidade” e afrouxamento das medidas sanitárias. Associado a isso, a alta de juros e crescimento da inflação impulsionaram o redesenho do setor, que não consegue absorver todos e assim se reinventa mais uma vez.

Com a máxima “contratados pela hard skills e demitidos pelas soft skills”, a Robert Half Talent Solution revelou que para 56% dos executivos brasileiros, questões associadas a atitudes e sentimentos dos indivíduos são vitais para o sucesso do profissional pós-pandêmico. Entendendo que posturas e atitudes influenciam diretamente na cultura da organização, mesmo em formatos cada vez mais híbridos de trabalho, a forma como o individuo reage aos estímulos e como ele impacta no comportamento do outro são vistos como reflexo da organização para o mercado e para a sociedade, o que, por consequência, impacta na reputação, share e valor da empresa para o mercado.

Para sobreviver ao turbilhão de mudanças que acontecem na sociedade, o profissional precisa viver um constante desenvolvimento de competências técnicas e competências socioemocionais, ao qual, é inegável, a segunda é muito mais complicada de desenvolver.

Enquanto aprendizados técnicos impõem estudo, exercício e treino, as competências socioemocionais exigem mudanças culturais e comportamentais, tornando-se um ativo valiosíssimo para aqueles que se transformam, reinventam e adaptam-se à contemporaneidade.

Não estamos mais falando de conseguir um emprego, mas de sobreviver no mercado.

* Rodrigo Almeida é Relações Públicas; Mestre em Gestão e Tecnologia; Diretor da agência Criativos

Imagem: Wright Studio (Shutterstock)

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