Neste domingo (19), uma tempestade devastou o Litoral Norte de São Paulo, deixando pelo menos 40 mortos. Cerca de 40 pessoas estão desaparecidas. Mais de 2,5 mil pessoas tiveram que sair de casa.

Últimas atualizações

  • O Corpo de Bombeiros ainda trabalha na busca por desaparecidos;
  • O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (PL), decretou “estado de calamidade” de 180 dias em Ubatuba, Guarujá, São Sebastião, Ilhabela, Caraguatatuba e Bertioga;
  • O presidente Lula (PT) sobrevoou as regiões afetadas e anunciou um trabalho em conjunto ao governo de São Paulo e à prefeitura de São Sebastião, região mais afetada pela tempestade.

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O que explica a tempestade?

Maria Clara Sassaki, meteorologista da Climatempo, explica que algumas cidades do litoral registraram chuvas de quase 700mm, muito mais do que o dobro esperado para todo o mês de fevereiro. A média histórica para o mês fica entre 200 e 300mm na região. Em contato com o Olhar Digital, ela falou sobre as condições climáticas que desencadearam o temporal:

A chegada da frente fria ao estado de São Paulo, as águas do Oceano Atlântico que estavam mais aquecidas do que o normal, o fluxo de umidade vindo da Amazônia até o estado e também uma circulação associada a uma área de baixa pressão na costa. A combinação desses fatores causou uma chuva muito volumosa em curto período de tempo, provocando também os alagamentos e deslizamentos. O solo não tem capacidade de drenar uma grande quantidade de água em pouco tempo. As consequências da chuva volumosa, os prejuízos à vida, estão relacionadas a áreas muito povoadas em regiões de risco, de encosta.

A tragédia não é culpa do mau tempo

O engenheiro especialista em riscos e segurança Gerardo Portela explica que o agravamento das consequências das fortes chuvas está diretamente ligado às condições precárias de infraestrutura:

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Infelizmente o que a gente tem visto no Brasil é que essas cidades crescem com os mesmos requisitos e com poucas variações ocasionais por parte das autoridades em relação a como elas cresciam a dois séculos atrás.

De acordo com Gerardo Portela, com o aumento da população nas cidades, as pessoas procuram por alternativas de moradia agrupadas, que não contam com uma infraestrutura segura em caso de chuvas fortes:

A população que não tem opção de moradia acaba procurando áreas disponíveis, que estão disponíveis justamente devido à construção ser inviável ou caríssima. Então se formam esses bolsões de precariedade, de falta de infraestrutura que acabam gerando situações catastróficas quando você tem as grandes tempestades.

O engenheiro aponta, ainda, que o cenário de aumento populacional sem infraestrutura não acontece apenas nas grandes cidades. Os pequenos municípios também precisam de logística conforme a população cresce:

Ano após ano escutamos sobre esse crescimento populacional, e não temos notícia de um plano de controle do crescimento urbano para evitar esses agrupamentos de moradias precárias – que são as localidades onde acontece o maior número de vítimas.

Gerardo Portela considera que existe tecnologia para enfrentar esses problemas e controlar o crescimento das cidades. Para ele, a atuação das autoridades governamentais está focada na resposta de emergência a essas catástrofes, que são importantes, mas poderiam ser evitadas com um plano de prevenção.

Não existe uma fiscalização mais rígida e muito menos um plano de nível nacional para a gente poder ocupar grandes territórios com a população de uma forma mais inteligente, mais racional e compatível com o Século XXI.

Imagem destaque: Divulgação/ Governo de São Paulo

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