O etanol emite menos CO2 – dióxido de carbono, também conhecido como gás carbônico – do que veículos elétricos europeus. É o que concluiu uma pesquisa realizada pela Stellantis. O estudo também aferiu que a matriz energética brasileira polui menos que a europeia.

O que você precisa saber:

  • Uma pesquisa realizada pela Stellantis concluiu que etanol emite menos CO2 do que veículos elétricos europeus;
  • Na pesquisa, a empresa simulou a emissão de CO2 de um veículo quando “alimentado” com quatro fontes distintas de energia;
  • O saldo final da pesquisa mostra que o etanol reduz mais de 60% a pegada de carbono, em comparação à gasolina;
  • Por conta desses resultados, a Stellantis estuda desenvolver, no Brasil, soluções para carros híbridos.

A Stellantis simulou, em teste dinâmico, um veículo quando alimentado com quatro fontes distintas de energia, a fim de mensurar a emissão total de CO2 em cada situação. Durante o teste comparativo, realizado no simulador, o veículo percorreu 240,49 quilômetros.

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A pesquisa

Carros em avenida durante pôr-do-sol
(Imagem: Fernando Frazão/Agência Brasil)

A princípio, a Stellantis abasteceu o automóvel com etanol. Depois, comparou, em tempo real, com a mesma situação de rodagem em três alternativas: com gasolina tipo C (E27); 100% elétrico (BEV) abastecido na matriz energética brasileira; e 100% elétrico (BEV) abastecido na matriz energética europeia.

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Assim, a empresa obteve os seguintes resultados de emissões de CO2 – organizados em ordem decrescente – durante o trajeto:

  • Gasolina (E27): 60,64 kg CO2eq;
  • 100% elétrico (BEV) com energia europeia: 30,41 kg CO2eq;
  • Etanol (E100): 25,79 kg CO2eq;
  • 100% elétrico (BEV) com energia brasileira: 21,45 kg CO2eq.

Na comparação, foram utilizadas metodologia e tecnologia de conectividade desenvolvidas pela Bosch. Elas consideram não apenas a emissão de CO2 associada à propulsão, mas as emissões correspondentes a todo o ciclo de geração e consumo da energia utilizada. É o conceito “do poço à roda” (“well-to-wheel”). No caso dos biocombustíveis, é “do campo à roda”.

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Análise dos resultados

Estrada com vários carros indo e vindo
(Imagem: Manuel Alvarez/Pixabay)

Quando considerado o saldo total de emissões de todo o ciclo energético, o veículo movido a etanol apresenta vantagens inclusive em comparação com um veículo elétrico a bateria abastecido com energia gerada na Europa, consideradas as características da matriz energética europeia.

Quando comparado à gasolina, o etanol se destaca ainda mais. O saldo final mostra que, na comparação entre os dois combustíveis, o uso do etanol evitou a emissão de 34,85 kg de CO2eq no trajeto. É o equivalente a 144 gramas de CO2eq por quilômetro rodado. Ou seja, etanol reduz mais de 60% a pegada de carbono.

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Os resultados comprovam as vantagens comparativas da matriz energética brasileira, principalmente a importância dos biocombustíveis para uma mobilidade mais sustentável.

Antonio Filosa, presidente da Stellantis para a América do Sul

Soluções nacionais para carros híbridos

Carros elétricos carregando em parada na estrada
(Imagem: Rawpixel)

A matriz energética brasileira, em que se destacam os biocombustíveis e a energia elétrica gerada por meios renováveis, é uma vantagem comparativa do país, que pode ser usada para promover uma mobilidade mais sustentável.

Por isso, a Stellantis divulgou que trabalha a possibilidade de desenvolver, no Brasil, soluções, tecnologias e componentes para veículos híbridos que combinem etanol e eletrificação. Para organizar estes esforços, a empresa lançou a plataforma Bio-Electro.

A ideia dessa plataforma é articular em torno da Stellantis um conjunto de parcerias estratégicas, visando acelerar o desenvolvimento e implementação de novas soluções de motopropulsão e de descarbonização da mobilidade, conforme explicou a empresa.

Além disso, a marca informou que seu grande objetivo estratégico é nacionalizar soluções, tecnologia e produção, impulsionando uma onda setorial de reindustrialização.

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