Carros e caminhões novos estão repletos de sensores e tecnologia que protegem e mimam motoristas e passageiros. Mas esses recursos também estão aumentando o custo dos reparos após acidentes.

De acordo com a Mitchell, uma empresa que fornece dados e software para seguradoras e oficinas de reparo automotivo, o custo médio de deixar carros danificados como novos aumentou 36% desde 2018 e pode ultrapassar US$ 5.000 até o final deste ano.

  • Os novos utilitários esportivos e caminhões, incluindo modelos elétricos, se tornaram tão complexos e luxuosos que reparos aparentemente simples podem custar uma pequena fortuna, afirmam especialistas automotivos.
  • As seguradoras muitas vezes são responsáveis por grande parte desses custos, o que as leva a aumentar suas taxas.
  • Materiais projetados para amassar ou deformar em um acidente para proteger pedestres ou passageiros, por exemplo, podem ser difíceis ou impossíveis de reparar.
  • Muitos para-choques devem ser substituídos após pequenos amassados de baixa velocidade, porque os sensores de segurança embutidos neles podem deixar de funcionar corretamente após os reparos.
  • Outros sistemas, mesmo aqueles que não parecem estar danificados, devem ser inspecionados ou recalibrados.

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Os especialistas do setor têm se concentrado especialmente no custo de reparo de carros e caminhões elétricos, que não são construídos como carros a gasolina e têm peças diferentes. Além disso, muitos mecânicos não são treinados para trabalhar neles.

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Os especialistas automotivos reconhecem que os reparos em modelos elétricos são, em média, mais caros do que os de veículos a gasolina. No entanto, uma análise mais aprofundada de reivindicações e dados de reparo mostra que os custos de reparo de veículos elétricos não são significativamente mais altos do que os custos para carros a gasolina de idade e preço semelhantes, e às vezes são até menores.

carros reparo
Bateria de veículo elétrico. Imagem: Roman Zaiets / Shutterstock.com

Dados da Mitchell mostram que, em 2022, os veículos elétricos custaram em média cerca de US$ 6.800 para serem consertados após acidentes, cerca de US$ 2.400 a mais do que a média de todos os carros. Segundo a empresa, carros movidos a bateria tendem a exigir peças mais caras e o reparo deles leva mais tempo e pode exigir o trabalho de mecânicos especializados.

  • Uma das principais razões pelas quais os carros elétricos tendem a custar muito mais para serem reparados, à primeira vista, é que a maioria deles são modelos de luxo mais novos.
  • Os carros da Tesla, que são vendidos por entre US$ 40.000 e cerca de US$ 110.000, respondem por 75% das reclamações de colisão de modelos movidos a bateria.
  • Consertar veículos elétricos de marcas mainstream, como Hyundai ou Nissan, custa apenas cerca de US$ 800 a mais do que seus equivalentes a gasolina, de acordo com a Mitchell.
  • No segmento premium, os custos de reparo típicos para veículos a bateria e a gasolina são aproximadamente os mesmos, cerca de US$ 7.000, para modelos a partir de 2018.

Outros dados sugerem que os veículos elétricos se saem relativamente bem. Cerca de 18% dos carros a gasolina envolvidos em acidentes são considerados perda total, enquanto apenas cerca de 6% dos veículos movidos a bateria são considerados irrecuperáveis após acidentes, de acordo com a Mitchell.

Mas os especialistas automotivos acrescentaram que danos à bateria dos carros elétricos — sua parte mais cara — podem torná-los mais difíceis de reparar, exigindo ferramentas especiais e treinamento avançado.

As montadoras afirmam estar cientes do aumento dos custos de reparo e estão trabalhando para tornar os carros mais fáceis de consertar, especialmente os veículos elétricos, que muitos executivos esperam que substituam a maioria ou todos os modelos a gasolina nas próximas décadas.

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