O que Oppenheimer, novo filme de Christopher Nolan, e a IA tem a ver? Para o diretor, tudo. Segundo ele, as dificuldades em regulamentar as armas nucleares são semelhantes às de limitar a inteligência artificial. No entanto, no caso das armas, a Organização das Nações Unidas (ONU) resolveu a questão. Contudo, o mesmo não deve acontecer para a tecnologia, já que agora a organização estaria mais enfraquecida.

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Oppenheimer e as armas nucleares

  • De acordo com Christopher Nolan em entrevista ao jornal The Guardian, Robert Oppenheimer, físico que criou a primeira bomba atômica, passou a pedir pelo controle das armas nucleares assim que percebeu que havia as tornado realidade.
  • Ainda assim, demorou anos para que um projeto de regulamentação fosse implementado, tempo o suficiente para que a tecnologia se proliferasse.
  • No entanto, na época, uma solução foi proposta pela ONU: a organização estabeleceu um acordo de cooperação internacional e um tratado de não proliferação de armas nucleares.
Pôster do filme Oppenheimer
Oppenheimer, figura na qual o filme homônimo se baseia, foi o líder do projeto que criou a primeira bomba atômica (Imagem: Divulgação)

E a IA?

Christopher Nolan vê um “paralelo muito forte” entre a proliferação acelerada da IA com o que aconteceu com as armas nucleares na época da Segunda Guerra Mundial.

Atualmente, a ONU também se coloca como o órgão internacional capaz de regulamentar a IA: o secretário-geral, António Guterres, afirmou que a organização é o “lugar ideal” para estabelecer um padrão global para o uso e desenvolvimento da tecnologia.

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Porém, para Nolan, a ONU tem uma força “muito diminuída” e pode não conseguir repetir o processo.

Olhar para o controle internacional de armas nucleares e sentir que os mesmos princípios podem ser aplicados a algo que não requer processos industriais maciços é um pouco complicado.

Christopher Nolan
Oppenheimer
No filme, o físico é interpretado pelo irlandês Cillian Murphy (Imagem: Divulgação/Universal Pictures)

IA pode ser ainda mais perigosa

  • Nolan ainda destaca que as armas nucleares eram muito difíceis de serem construídas e mais ainda de serem compartilhadas com mais países, o que não se aplica à IA.
  • Inclusive, nesta semana, o CEO da Meta, Mark Zuckerberg, anunciou que disponibilizaria publicamente um modelo da tecnologia, o que facilita ainda mais seu desenvolvimento.
  • O diretor não é o único preocupado.
  • No início do ano, diversos especialistas da IA e empresários, como o CEO da Tesla, Elon Musk, assinaram uma carta aberta pedindo uma pausa na criação de IAs generativas.
  • Nos últimos meses, Sam Altman, o CEO da OpenAI, empresa desenvolvedora do ChatGPT, e o G7 também concordaram com a necessidade de regulamentar a tecnologia.

IA no Cinema

Para Nolan, o ponto principal é que a discussão sobre a regulamentação esteja acontecendo.

O diretor ainda comentou o uso da IA no Cinema, destacando como ela pode criar oportunidades, mas que os executivos devem se responsabilizar pelo seu uso.

Acho que será uma ferramenta poderosa no futuro. O que tentei colocar no debate, e continuo expressando, é a noção de responsabilidade e responsabilidade do empregador. A única coisa que não podemos fazer é permitir que a administração, os empregadores e os produtores usem a IA para evitar a responsabilidade por suas ações.

Christopher Nolan

O uso da IA no audiovisual é um dos pontos que motivou a greve dos roteiristas, no início de maio, e dos atores, este mês.

Com informações de The Guardian

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