O Solar Orbiter da Agência Espacial Europeia (ESA) detectou uma série de jatos curtos e pouco energéticos sendo expelidos por buracos coronais na atmosfera superior do Sol. Essa observação pode finalmente ajudar pesquisadores a entender a origem dos ventos solares.

Os ventos solares são fluxos de plasma emitidos pelo Sol em alta velocidade que podem preencher o espaço interplanetário. Esse fenômeno já foi anteriormente ligado aos buracos coronais, mas como eles exatamente se originam, tem sido um mistério.

Os jatos curtos e pouco energéticos também são chamados picojatos, cada um deles dura de 20 a 100 segundos e expelem plasma a cerca de 100 quilômetros por segundo. Eles foram observados a partir do instrumento Extreme Ultraviolet Imager (EUI) do Solar Orbiter, em imagem do polo sul do Sol, realizados no dia 30 de março de 2022. As imagens foram divulgadas com um novo estudo no dia 24 de agosto de 2023 na revista Science.

Pequenos jatos de plasma são vistos escapando do Sol (Credito: Solar Orbiter/ ESA)

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Jatos energéticos e os ventos solares

Até então, sabia-se que os ventos solares provinham de regiões da coroa solar onde as linhas do campo magnético do Sol ao invés retornarem para dentro elas se estendiam para fora, proporcionando um caminho para as rajadas de plasma caminharem pelo sistema solar. Mas a questão era como o plasma era lançado desses buracos.

Agora, com as novas imagens da Solar Orbiter, pode-se observar que as partículas ionizadas são expelidas da atmosfera solar, com cada jato liberando uma pequena quantidade de plasma. Isso aponta que o vento solar provavelmente não tem um fluxo tão contínuo e constante como se pensava.

Um dos resultados aqui é que, em grande medida, este fluxo não é realmente uniforme, a onipresença dos jatos sugere que o vento solar dos buracos coronais pode originar-se como um fluxo altamente intermitente.

Andrei Zhukov, coautor da pesquisa, em comunicado.

Acredita-se que cada um dos jatos são uma fonte de energia e matéria para os ventos solares, com eles se formando a partir da reconexão magnética que libera uma grande quantidade de energia.

A órbita do Solar Orbiter atualmente se encontra na região do equador do Sol, fazendo com que esse evento que aconteceu no polo sul fosse observado de lado. Mas em breve a trajetória feita pela sonda irá começar a se inclinar em direção às regiões polares, ao mesmo tempo que o ciclo de onze anos do Sol irá progredir. Isso fará com que buracos coronais surjam em diferentes latitudes e possibilite uma perspectiva única desses eventos.

É mais difícil medir algumas das propriedades destes pequenos jatos quando os vemos de lado, mas dentro de alguns anos, iremos vê-los a partir de uma perspectiva diferente da de qualquer outro telescópio ou observatório, pelo que juntos deverão ajudar muito

Daniel Müller, cientista da ESA no projeto Solar Orbiter.

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