Pesquisa aponta que maioria dos brasileiros reprova ensino domiciliar

Um levantamento realizado pela Ação Educativa e Cenpec revelou que apenas 21% dos brasileiros são favoráveis ao homeschooling
iStock-1367598412
(Imagem: Strelciuc Dumitru/ Istock)

A intensificação do debate sobre a implementação do ensino domiciliar (ou homeschooling) no Brasil ganhou força com o isolamento social causado pela pandemia da covid-19. No entanto, considerando as desigualdades educacionais existentes e as dificuldades socioeconômicas do país, esse sistema de educação ainda enfrenta desafios para sua implementação.

Continua após a publicidade

O que você precisa saber:

  • A pandemia da covid-19 intensificou a discussão sobre o homeschooling no Brasil, que enfrenta desafios devido às desigualdades educacionais e dificuldades socioeconômicas.
  • Uma pesquisa revelou que 21% dos brasileiros são favoráveis à modalidade, enquanto a maioria concorda com a importância da frequência escolar.
  • O Projeto de Lei 3262/2019, que trata do ensino domiciliar, aguarda votação na Câmara dos Deputados. Para isso, serão necessárias alterações na legislação atual.
  • Denise Carreira, professora da USP, considera a proposta como elitista, autoritária e incompatível com os esforços para fomentar a educação tradicional no Brasil.

Uma pesquisa realizada em 2022 pela Ação Educativa e Cenpec, intitulada ‘Educação, Valores e Direitos,’ revelou que apenas 21% dos brasileiros são favoráveis a essa modalidade. Essa parcela da população apoia a ideia de que os pais tenham o direito de escolher educar seus filhos em casa, contestando a obrigação legal de frequência escolar estabelecida na legislação.

Por outro lado, os resultados da pesquisa indicam que 99.3% dos entrevistados concordam com a importância de que as crianças frequentem a escola, e 90% acreditam que as crianças devem ter esse direito, independentemente da vontade de seus pais.

Legislação atual e projeto de lei

A pauta ganhou destaque durante o governo de Jair Bolsonaro. Em 2019, deputadas da base de apoio ao ex-presidente apresentaram o Projeto de Lei 3262/2019, que agora aguarda agendamento para votação no plenário da Câmara dos Deputados, após ter sido aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) em 2021.

Contudo, para efetivar essa opção no país, será necessário realizar modificações no Código Penal, que atualmente classifica a educação domiciliar como abandono intelectual, bem como promover alterações no Estatuto da Criança e do Adolescente e nas diretrizes e bases da educação nacional.

Educação tardia

Segundo Denise Carreira, professora da Faculdade de Educação da USP, o Brasil enfrentou desafios significativos ao longo de sua jornada para garantir a educação para todos. Em comparação com outros países da América Latina, o país implementou políticas educacionais em um estágio relativamente tardio, isso faz com que a proposta de educação em casa seja incompatível com o esforço geral de fomentar a educação tradicional.

É uma proposta extremamente elitista, autoritária e equivocada que, para ser operacionalizada, exigirá que as famílias invistam em tutores, materiais didáticos – o que abre um mercado de venda de produtos – e que o Estado garanta toda uma estrutura de fiscalização das famílias, drenando recursos que deveriam ser investidos na educação pública.

Denise Carreira, professora da Faculdade de Educação da USP
Continua após a publicidade

Com informações do jornal da USP.

Já assistiu aos novos vídeos no YouTube do Olhar Digital? Inscreva-se no canal!

E
Estella Abreu

Estella Abreu é estudante de jornalismo no Centro Universitário Braz Cubas e redatora no Olhar Digital.

Bruno Capozzi
Bruno Capozzi

Bruno Capozzi é jornalista, mestre em Ciências Sociais e editor executivo do OD.

Gostou? Compartilhe! Ajude mais pessoas a ficarem informadas.
Prefira o OD no Google
Ícone Whatsapp Ícone Whatsapp Ícone Instagram Ícone Facebook Ícone Linkedin Ícone Telegram Ícone Email