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O uso da inteligência artificial na área da saúde não é mais uma novidade. Diversos testes já mostraram as potencialidades dessa tecnologia no desenvolvimento de novos medicamentos e até no diagnóstico de pacientes, entre outras coisas. Mas será que a IA poderia tornar possível um dos maiores desafios da humanidade: a cura do câncer. O CEO da farmacêutica Moderna, Stéphane Bancel, aposta que sim.
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- Segundo Bancel, a cura para a doença pode ser descoberta através das vacinas de RNA mensageiro.
- Para ele, a IA, inclusive, já pode ter auxiliado os cientistas nesse sentido.
- A farmacêutica americana já tem testado em humanos um potencial imunizante contra o câncer de pele, desenvolvido com o apoio da tecnologia.
Inteligência artificial simplifica e agiliza processos
O CEO da empresa ainda destaca que a Moderna faz uso da inteligência artificial há pelo menos seis anos a partir do aprendizado de máquina, um método de análise de dados. A entrevista foi concedida ao Semafor.
Tentamos integrar todos os funcionários, desde um operador de linha de frente ou cientista até o CEO, nesses treinamentos, para fazer com que as pessoas entendam o que é ciência de dados.
Stéphane Bancel, CEO da Moderna
Ele explica que ao desenvolver uma nova terapia individualizada para o câncer é necessário selecionar um paciente que possua uma mutação do DNA de uma célula cancerosa para codificar no mRNA. Segundo ele, isso já é feito por um sistema de aprendizado de máquina.
A partir disso, a inteligência artificial analisa o tumor do paciente e, em seguida, identifica quais proteínas (antígenos) encontradas naquele tipo de câncer serão usados para desenvolver uma possível vacina. Esse imunizante precisa gerar uma resposta imunológica específica e combater a doença.
Todo o processo é bastante complexo e leva muito tempo. Mas a IA pode acelerar todas essas etapas.

Aliada contra a burocracia
Outra potencialidade da inteligência artificial é resolver burocracias na área médica. A Moderna trabalha para desenvolver um modelo de linguagem grande (LLM) próprio, semelhante ao ChatGPT, para facilitar os processos junto a entidades como a Food and Drug Administration (FDA), a agência reguladora de medicamentos dos Estados Unidos, e Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), aqui no Brasil.
Usaremos um grande modelo de linguagem para basicamente preparar as respostas solicitadas por um regulador. Todo o [nosso] banco de dados está lá. Então, o sistema pode ler as perguntas do regulador que recebemos em um documento, e-mail ou qualquer outra coisa, e escrever a resposta que um de nossos especialistas irá ler e validar antes de enviá-la aos reguladores.
Stéphane Bancel, CEO da Moderna
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