A startup dinamarquesa Corti, que desenvolve um assistente de inteligência artificial para auxiliar profissionais de saúde na avaliação de pacientes em tempo real, arrecadou US$ 60 milhões em uma rodada de investimentos.

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Apesar de a empresa não ter divulgado detalhes sobre sua avaliação, mostra um crescimento expressivo em sua base de clientes. Há dois anos, quando levantou US$ 27 milhões em uma outra rodada de investimentos, a startup auxiliava em 15 milhões de consultas anuais.

Hoje, o número saltou para 100 milhões de pacientes atendidos por ano, com a plataforma sendo utilizada 150 mil vezes por dia.

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A Corti afirma que suas ferramentas podem aumentar a precisão dos profissionais de saúde em até 40% nas “previsões de resultados” e tornar suas tarefas administrativas 90% mais rápidas.

(Imagem: David Gyung/istock)

Copiloto de IA

A startup descreve seu serviço como um “copiloto de IA” para profissionais de saúde, abrangendo diversas áreas:

  • Triagem durante a interação com o paciente.
  • Documentação completa.
  • Codificação administrativa.
  • Análise dessa interação para orientar decisões.
  • “Segundas opiniões” que podem desafiar o pensamento do clínico.
  • Fornecimento de anotações em tempo real e após a consulta para identificar áreas de melhoria e treinar os profissionais de saúde.

Concorrência acirrada

Assim como a Corti, outras startups estão explorando a tecnologia para criar modelos semelhantes de IA no segmento da saúde. Um exemplo é a Nabla, com sede em Paris. No entanto, enquanto a Nabla baseia sua abordagem em modelos já existentes, como o GPT-3 da OpenAI, a Corti optou por desenvolver seus próprios modelos.

Segundo o criador e co-fundador do projeto, Lars Lars Maaløe, desde seu lançamento em 2018, a empresa enfrentou grandes desafios, principalmente em relação à aceitação de sua tecnologia. Contudo, com a crescente adoção da IA, a empresa observou uma mudança na percepção do mercado.

O ChatGPT fez com que as pessoas percebessem que poderíamos usar IA para muitas coisas. Nossas reuniões se tornaram muito mais fáceis. Agora, queremos tornar o termo ‘IA’ enfadonho.

Criador e co-fundador do projeto, Lars Lars Maaløe.

IA na medicina não é isenta de controvérsias

Apesar dos avanços, a IA ainda é vista com cautela por alguns profissionais da saúde, que alertam para os riscos de uma dependência excessiva de dados e análises que podem não ser totalmente precisos.

“A Corti melhora simultaneamente a eficiência do médico e a satisfação no trabalho com automação de documentação em tempo real, maior visibilidade da qualidade do atendimento e também otimiza receitas e reduz custos”, afirmou Laura Connell, sócia da Atomico. “Ao aumentar os sobrecarregados médicos e prestadores de cuidados de saúde com IA, Corti abre caminho para uma medicina mais personalizada, preventiva e proativa”.

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