A NASA reavalia sua abordagem na primeira missão de retorno de amostras de Marte para a Terra após uma revisão independente apontar desafios orçamentários e de cronograma na “arquitetura” atual do projeto Mars Sample Return (MSR).

Para quem tem pressa:

  • A NASA está reavaliando a missão de retorno de amostras de Marte, Mars Sample Return (MSR), devido a desafios de orçamento e cronograma apontados por uma revisão independente.
  • O Comitê de Ética em Pesquisa da NASA (IRB) considerou o escopo da missão irrealista desde o início, com expectativas inalcançáveis de orçamento e cronograma.
  • A NASA formou a Equipe de Resposta do MSR, liderada por Sandra Connelly, para conceber uma nova arquitetura para a missão, dividida em subcomitês técnicos, científicos, programáticos e orçamentários.
  • A agência planeja selecionar duas a três arquiteturas alternativas para um estudo mais detalhado, com uma revisão de confirmação prevista até o final de 2024.
  • A incerteza sobre o financiamento disponível nos anos fiscais de 2024 e 2025 é um desafio adicional, e a NASA terá que ajustar os planos de acordo com as limitações orçamentárias.

Em setembro, o Comitê de Ética em Pesquisa da NASA (IRB) divulgou um relatório no qual apontou que a missão – um esforço conjunto entre a NASA e a Agência Espacial Europeia (ESA) – não tem condições de ser cumprida conforme o escopo apresentado, que contém “expectativas irrealistas de orçamento e cronograma desde o início”.

Leia mais:

O comitê consultivo – Grupo de Análise do Programa de Exploração em Marte (Mepag) – foi informado por Sandra Connelly, vice-administradora associada da NASA para ciência, que a agência formou uma equipe para lidar com as recomendações do IRB.

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Resposta da NASA para missão sair do papel

Ilustração dos principais componentes robóticos da missão Mars Sample Return
Ilustração dos principais componentes robóticos da missão Mars Sample Return, incluindo o Perseverance da NASA (à esquerda), o Sample Fetch Rover da Agência Espacial Europeia (ao centro) e o Sample Retrieval Lander (à direita). Este último transportará o Mars Ascent Vehicle da NASA (Imagem: NASA/ESA/JPL-Caltech)

A Equipe de Resposta do MSR, liderada por Connelly, trabalha na concepção de um novo escopo para a missão. Esta equipe se dividirá em subcomitês focados em questões técnicas, científicas, programáticas e orçamentárias relacionadas ao programa, e espera-se que concluam seu trabalho até o final de março de 2024, conforme publicado pelo Space News.

A revisão de “arquiteturas” alternativas será guiada por vários indicadores, entre eles: custos totais e anuais, questões técnicas e o valor científico da missão revisada. E a redução do número de amostras retornadas está entre as abordagens consideradas.

Jeff Gramling, diretor do MSR na sede da NASA, delineou um plano para a seleção de dois a três escopos alternativos para um estudo mais aprofundado. A agência visa realizar uma revisão para confirmação até o final de 2024 – período no qual compromissos formais de custos e cronogramas serão estabelecidos para o programa.

O desafio adicional para o MSR está na incerteza sobre o financiamento disponível nos anos fiscais de 2024 e 2025. A NASA terá que ajustar os planos conforme apropriado, dadas as limitações orçamentárias.

Apesar dos desafios atuais, tanto os funcionários da NASA quanto outros presentes na reunião do MEPAG enfatizaram a importância da missão Mars Sample Return, destacando sua relevância para a liderança da NASA na exploração de Marte.

A missão (e seus obstáculos)

Marte visto do espaço
(Imagem: NASA)

A Mars Sample Return é um dos projetos mais ousados já elaborados por qualquer programa de exploração espacial do mundo.

A ideia consiste em: levar dois helicópteros a Marte para buscar as amostras coletadas pelo rover Perseverance, acomodá-las em um foguete, tentar o primeiro lançamento de foguete a partir de outro planeta, entrar em órbita, voar de volta à Terra e pousar.

Com isso, seria possível analisar material marciano imaculado na Terra pela primeira vez, usando equipamentos mais sofisticados do que os instrumentos disponíveis em Marte. Dessa forma, seria possível até dizer se alguma vez houve vida por lá.

No entanto, o parecer do IRB não é nada otimista para esse cenário ambicioso. “Atualmente não há cronograma, custo e linha de base técnica credíveis, congruentes e com margens adequadas que possam ser alcançados com o provável financiamento disponível”.

O documento aconselha uma mudança do cronograma de lançamento atual para uma janela posterior, transferindo-o de 2027 para 2030. Isso aumentaria significativamente seu orçamento e certamente enfrentaria problemas com o Congresso dos EUA – o Senado já expressou pouca simpatia pela MSR e seus custos.